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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O sinal da cruz feito sobre a testa, os lábios e o peito

Aprendemos este gesto desde crianças, mas realmente conhecemos seu verdadeiro significado?
Nas normas expostas no Missal Romano, quando se explica o comportamento indicado para o momento da proclamação do Evangelho, estabelece-se que o diácono ou o sacerdote que anuncia a Palavra, depois de ter feito o sinal da cruz sobre a página do Lecionário, deve fazê-lo também sobre a testa, sobre os lábios e sobre o coração.
O sinal da cruz triplo também é feito pela assembleia. E tudo isso não pode ser considerado como mero ritual, mas um forte convite que a Igreja faz, sublinhando a grande importância dada ao Evangelho.
A Palavra de Deus, que é sempre a luz que ilumina o caminho dos fiéis, precisa ser acolhida na mente, anunciada com a voz e conservada no coração. Tudo isso nos recorda que é necessário nos empenharmos em compreender a Palavra de Deus com atenção e inteligência iluminada.
Esta Palavra deve ser anunciada e proclamada por todo cristão, porque a evangelização é um dever de todos os batizados. Precisa ser amada e guardada no coração, para tornar-se depois norma de vida.
Todos nós somos convidados a examinar-nos sobre como acolhemos o Evangelho, como nos comprometemos no anúncio desta mensagem, como conformamos nossa vida segundo suas indicações.
Somos convidados a ser um "Evangelho ilustrado", o "quinto Evangelho", não escrito com tinta, mas com a nossa própria vida.
Acolhamos com a mente, anunciemos com os lábios, conservemos no coração o tesouro da Palavra de Deus e, ao longo deste caminho, confiemos nossas vidas ao Senhor, para sermos reflexo da verdadeira luz em meio às trevas do mundo de hoje.

Artigo do Pe. Antonio, monge no Mosteiro de São Bento, de Monte Subiaco, Itália
via Aleteia
 

Fonte: Blog: Jesus, O Bom Pastor

terça-feira, 21 de maio de 2013

O Tempo Comum



Caros leitores, tendo encerrado o Tempo Pascal, voltamos agora ao tempo ordinário da Liturgia, o chamado Tempo Comum. O que é muito comum nessa época são afirmações do tipo: “agora não preciso ir à Igreja”; “No Tempo Comum não se celebra nada, não é importante”. Infelizmente, essas são afirmações falsas e de pessoas que não sabem viver verdadeiramente o espírito de todo o Ano Litúrgico. Evidentemente, o Tempo Comum não é um tempo marcado por grandes celebrações como foi a Quaresma e a Páscoa, mas é um tempo de caminhar junto com o Cristo. Propositalmente, o Tempo Comum está colocado na Igreja após as duas maiores solenidades: Natal e Páscoa. E nas duas surge uma reflexão implícita interessante de ser observada.



Após o Natal
Durante quatro semanas, nos preparamos para o Natal (Tempo do Advento), depois celebramos a grande festividade do nascimento do Senhor, a Sagrada Família, a Epifania e o Batismo de Jesus. Mas, e aí? Parou por aí? Não! O verdadeiro seguidor de Jesus não o “segue” somente nas festas e solenidades, mas sim em todos os momentos de sua vida.

Após a Páscoa

Durante as cinco semanas da Quaresma, nos preparamos para viver o mistério pascal durante a Semana Santa, celebrando o Tríduo Pascal. Depois, passam-se cinquenta dias desde a ressurreição do Senhor até a vinda do Espírito Santo em Pentecostes. Termina por aí? Claro que não! Depois de Pentecostes, os discípulos são enviados pelo mundo para pregar o Evangelho e conosco não é diferente: somos chamados a viver mais intimamente com o Senhor e a pregar seu Evangelho a toda criatura.

O Tempo Comum significa, portanto, caminhar em companhia de Jesus e de seus discípulos. É um caminhar para a glória, pois a coroa desse tempo de graça é a solenidade de Cristo Rei do Universo na 34ª semana Comum. Além do mais, é um tempo marcado pela ação do Espírito Santo, celebrado no Pentecostes. É o caminhar da Igreja, alimentada pelos Sacramentos, seguindo os passos do seu Senhor. No Tempo Comum a cor litúrgica usada é o verde, cor da esperança.
Nós retornamos ao Tempo Comum estando na sétima semana. Na realidade, deveríamos estar na sexta, mas por uma questão de acomodação e para que se possa fechar corretamente trinta e quatro semanas, faz-se esta adaptação.

REFERÊNCIA
BORTOLINI, José. Tempo Comum: 40 perguntas e respostas. São Paulo, Paulus. 4ª edição, 2010.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O que é a liturgia?

DEPARTAMENTO DAS CELEBRAÇÕES LITÚRGICAS DO SUMO PONTÍFICE
 Por que a liturgia? O que significa liturgia? (CIC 1066-1070)

A profissão de fé, abordada na primeira parte do Catecismo da Igreja Católica, é seguida pela explicação da vida sacramental, por cujo meio Cristo está presente e age, continuando a edificação da sua Igreja. Se na liturgia, aliás, não se destacasse a figura de Cristo, que é o seu princípio e está realmente presente para torná-la válida, nem sequer teríamos a liturgia cristã, que depende do Senhor e é sustentada pela sua presença.
Existe, então, uma relação intrínseca entre fé e liturgia, ambas intimamente unidas. Sem a liturgia e os sacramentos, a profissão de fé não teria eficácia, pois careceria da graça que alicerça o testemunho dos cristãos. “Por outro lado, a ação litúrgica nunca pode ser considerada genericamente, prescindindo-se do mistério da fé. A fonte da nossa fé e da liturgia eucarística, de fato, é o mesmo acontecimento: o dom que Cristo fez de si mesmo no mistério pascal” (Bento XVI, Sacramentum Caritatis, 34).
Se abrirmos o catecismo na sua segunda parte, leremos que a palavra “liturgia” significa, originariamente, “serviço de e em favor do povo”. Na tradição cristã, significa que o povo de Deus faz parte da “obra de Deus” (CIC, 1069).
Em que consiste essa obra de Deus da qual fazemos parte? A resposta do catecismo é clara e nos permite descobrir a íntima conexão que existe entre a fé e a liturgia: “No símbolo da fé, a Igreja confessa o mistério da Santíssima Trindade e o seu desígnio benevolente (Ef 1,9) para toda a criação: o Pai realiza o "mistério da sua vontade" dando o seu Filho Amado e o Espírito Santo para a salvação do mundo e para a glória do seu nome” (CIC, 1066).
“Cristo, o Senhor, realizou esta obra da redenção humana e da perfeita glorificação, preparada pelas maravilhas que Deus fez no povo da antiga aliança, principalmente pelo mistério pascal da sua bem-aventurada paixão, da ressurreição dentre os mortos e da sua gloriosa ascensão” (CIC, 1067). É este o mistério de Cristo, que a Igreja “anuncia e celebra na sua liturgia a fim de que os fiéis vivam dele e dêem testemunho dele no mundo” (CIC, 1068).
Por meio da liturgia, “exerce-se a obra da nossa redenção” (Concílio Vaticano II, Sacrosanctum Concilium, 2). Assim como foi enviado pelo Pai, Cristo enviou os apóstolos para anunciarem a redenção e “realizarem a obra de salvação que proclamavam, mediante o sacrifício e os sacramentos, em torno dos quais toda a vida litúrgica gira” (ibidem, 6).
Vemos assim que o catecismo sintetiza a obra de Cristo no mistério pascal, que é o seu núcleo essencial. E o nexo com a liturgia se mostra óbvio, pois “por meio da liturgia é que Cristo, nosso Redentor e Sumo Sacerdote, continua na sua Igreja, com ela e por ela, a obra da nossa redenção” (CIC, 1069). Assim, esta “obra de Jesus Cristo”, perfeita glorificação de Deus e santificação dos homens, é o verdadeiro conteúdo da liturgia.
Este é um ponto importante porque, embora a expressão e o conteúdo teológico-litúrgico do mistério pascal devam inspirar o estudo teológico e a celebração litúrgica, isto nem sempre foi assim. “A maior parte dos problemas ligados às aplicações concretas da reforma litúrgica têm a ver com o fato de que não foi suficientemente considerado que o ponto de partida do concílio é a páscoa [...]. E páscoa significa inseparabilidade da cruz e da ressurreição [...]. A cruz está no centro da liturgia cristã, com toda a sua seriedade: um otimismo banal, que nega o sofrimento e a injustiça do mundo e reduz o ser cristãos a ser educados, não tem nada a ver com a liturgia da cruz. A redenção custou a Deus o sofrimento do seu Filho e a sua morte. Daí que o seu exercitium, que, segundo o texto conciliar, é a liturgia, não pode acontecer sem a purificação e sem o amadurecimento que provêm do seguimento da cruz” (Bento XVI, Teologia della Liturgia, LEV, Vaticano, 2010, págs. 775-776).
Esta linguagem conflita com aquela mentalidade incapaz de aceitar a possibilidade de uma intervenção divina real neste mundo em socorro do homem. Por isso, “quem compartilha uma visão deísta considera como integrista a confissão de uma intervenção redentora de Deus para mudar a situação de alienação e de pecado, e este mesmo juízo é emitido a propósito de um sinal sacramental que torne presente o sacrifício redentor. Mais aceitável, aos seus olhos, seria a celebração de um sinal que correspondesse a um vago sentimento de comunidade. Mas o culto não pode nascer da nossa fantasia; seria um grito na escuridão ou uma simples auto-afirmação. A verdadeira liturgia pressupõe que Deus responde e nos mostra como podemos adorá-lo. “A Igreja pode celebrar e adorar o mistério de Cristo presente na eucaristia precisamente porque o próprio Cristo se entregou antes a ela no sacrifício da cruz” (Sacramentum Caritatis, 14). A Igreja vive desta presença e tem a difusão desta presença no mundo inteiro como a sua razão de ser e de existir” (Bento XVI, Discurso de 15 de abril de 2010).
Esta é a maravilha da liturgia, que, como o catecismo recorda, é culto divino, anúncio do evangelho e caridade em ato (cf. CIC, 1070).  É Deus mesmo quem age, e nós nos sentimos atraídos por esta sua ação, a fim de sermos, deste modo, transformados nele.

Fonte: Site da Santa Sé


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O Batismo parte IV - Quem pode receber o Batismo? Quem pode batizar?




“ É capaz de receber o Batismo toda pessoa ainda não batizada, e somente ela”.
Código de Direito Canônico, cânon 864

            Caros leitores, estamos em nossa quarta formação sobre o Sacramento do Batismo e hoje nossa proposta é estudar e meditar um pouco acerca de quem pode receber e de quem pode batizar. Para começar, esta citação do Código de Direito Canônico nos deixa bem claro a situação de quem pode ser batizado: a pessoa que ainda não o foi. Mas neste caso temos que fazer duas observações que o Catecismo nos traz a partir do paragrafo 1247. Estamos falando do Batismo de adultos e o Batismo de crianças.

Batismo de Jesus por Perugio. Encontra-se na Capela Sistina

1.      Batismo de Adultos
Ao contrário daquilo que podemos pensar hoje e do que vemos, o Batismo de adultos é muito normal e convencional nas regiões onde o Evangelho foi anunciado recentemente e uma conversão foi aplicada à pessoas já adultas. O procedimento feito é o catecumenato que, como explicamos na primeira formação, significa que aprende, escuta. No Batismo de adultos o catecumenato já é feito com uma preparação conjunta para receber também os Sacramentos da Confirmação (crisma) e a Eucaristia. A finalidade do catecumenato é proporcionar a estas pessoas de conversão tardia um amadurecimento na fé, estando enraizados em sua comunidade de origem (paróquia). Os catecúmenos são inseridos na comunidade cristã aos poucos, através de ritos apresentados no Ritual da Iniciação Cristã para Adultos. Alguns destes ritos são: a inscrição do nome, entrega do símbolo e etc. O que pode parecer estranho é que estes ritos são realizados logo após a homilia e depois de terminado os catecúmenos são convidados a deixar a Igreja. Isto mesmo, eles deixam a celebração eucarística. Isto se faz para que os catecúmenos participem completamente da celebração apenas na Vigília Pascal, quando serão batizados, crismados e receberão pela primeira vez a Eucaristia. Mas os catecúmenos já estão unidos à Igreja, já pertencem à casa de Cristo, não sendo raro eles levarem uma boa vida de fé, esperança e caridade.

Batismo de adulto na Vigília Pascal

2.      Batismo de Crianças
A razão pela qual a Igreja sempre batizou as crianças é porque elas, assim como todos nós, nascem com uma natureza humana manchada e decaída pelo pecado original e necessitam de uma purificação através do Batismo, para poderem morrem com Cristo para o pecado e nascerem com Ele para uma vida nova. A Igreja e os pais privariam então a criança da graça inestimável de se tornar filhos de Deus se não lhe conferissem o Batismo pouco depois do nascimento.
A tradição da Igreja ensina que o Batismo de crianças é uma prática muito antiga, recordando ao século II. Mas é bem possível que desde o início da pregação apostólica, quando “casas” inteiras receberam o Batismo, também se tenha batizado as crianças.

Batismo de criança na Festa do Batismo do Senhor
3.      Quem pode batizar?
Assim como nos demais sacramentos, os ministros ordinários para o Batismo são o Bispo e o presbítero. Na Igreja Ocidental (Latina), o diácono também é considerado ministro ordinário do Batismo, fazendo todos os ritos essenciais e complementares. Em caso de necessidade extrema, perigo de morte ou em algumas regiões em que é difícil o acesso de padres, bispos e diáconos, existem os Ministros Extraordinários do Batismo. Em caso de perigo de morte, mesmo uma pessoa não instituída como Ministro Extraordinário do Batismo, pode batizar, desde que ela seja batizada, sendo essa a única condição. Portanto, qualquer pessoa pode batizar, desde que seja feito em nome da Trindade Santíssima. Mas lembrando que os Ministros Ordinários do Batismo são o Bispo, o presbítero e o diácono, que fazem os ritos de unção com o óleo dos catecúmenos e do crisma. A Igreja vê a razão desta possibilidade na vontade salvífica universal de Deus e na necessidade do Batismo para a salvação.

O Bispo, ministro ordinário do Batismo, ungindo o neófito com o óleo do crisma

 Na próxima postagem falaremos um pouco sobre o nome do Sacramento e o Batismo de Cristo.

REFERÊNCIA
Catecismo da Igreja Católica. Parágrafos 1247 a 1252 e 1256

O Batismo parte III - Necessidade do Batismo



“Revesti-vos da armadura de Cristo, para que possais resistir às ciladas do demônio”.
Efésios 6,11

“N. N., vocês nasceram de novo e se revestiram de Cristo; por isso, trazem a veste batismal. Que seus pais e padrinhos os ajudem por sua palavra e exemplo a conservar a dignidade de filhos e filhas de Deus até a vida eterna”.
Rito do Batismo – Veste Batismal


            Caros leitores, estamos em nossa terceira formação e meditação sobre o Batismo. Hoje é um dia muito especial para a Igreja, pois celebramos a Festa do Batismo do Senhor Jesus nas águas do Rio Jordão por São João Batista. O título inicial de hoje é sobre a necessidade do Batismo, mas antes vamos refletir dois pontos que nos são apresentados no Batismo e são essenciais para a vida cristã.

1.      A Veste Branca
O Rito do Batismo é apresentado com os Ritos Essenciais: apresentação dos catecúmenos, liturgia da Palavra, unção batismal e o Batismo propriamente dito. E existem os ritos complementares que podem ser feitos na mesma celebração ou posteriormente, caso seja celebrado dentro da Santa Missa. O segundo rito complementar do Batismo é a entrega e imposição da veste batismal, seguindo a oração que colocamos acima em negrito. Isto nos faz recordar e saber que aqueles que foram batizados em nome da Trindade, morreram com Cristo para o pecado e ressurgiram para uma vida nova. Portanto, estão agora revestidos com a armadura de Cristo, como nos fala São Paulo na Carta aos Efésios.
“A veste branca, portanto, simboliza que o batizado vestiu-se de Cristo, ainda mais, ressuscitou com Cristo” (Catecismo da Igreja Católica 1243)
Numa outra perspectiva, significa que aquele que acaba de ser batizado, participa igualmente da ressurreição de Cristo e torna-se filho de Deus.

“Concedei-lhe que, tendo participado da morte de Cristo pelo Batismo,
participe igualmente da sua Ressurreição”.
Oração Eucarística II – Memento dos Falecidos




2.      A Luz
O terceiro rito complementar, que vem logo após a veste batismal, é o rito da luz. Os padrinhos acendem a vela diretamente no Círio Pascal e entregam a seus afilhados que acabaram de ser batizados. Esta vela acesa significa que Cristo iluminou o neófito. Em Cristo, os batizados são a luz do mundo, cumprindo aquilo que o próprio Senhor havia dito “vós sois a luz do mundo” (Mt 5,14). E, ademais, a recomendação de São Paulo na Carta aos Filipenses “Fazei todas as coisas sem murmurações ou críticas, a fim de serdes inocentes e irrepreensíveis, filhos de Deus íntegros no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde brilhais como luzeiros no mundo”. (Fl 2, 14-15)


3.      Necessidade do Batismo
O Batismo é um Sacramento tão importante e tão necessário que o próprio Mestre nos fala que temos que renascer da água e do espírito. Isto se dá quando Jesus conversa com Nicodemos e ele pergunta se é possível nascer de novo e Jesus afirma: “Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer pela água e pelo espírito, não poderá entrar no Reino dos Céus”.(Jo 3,5). E é por isso que ordena seus discípulos que anunciem o Evangelho e batizem todas as nações. O Batismo é o meio de entrada na Bem-Aventurança . O Batismo é necessário para a salvação daqueles que conhecem o Evangelho e Jesus Cristo.

Batismo de Sangue
O Catecismo da Igreja Católica nos explica o que é o Batismo de Sangue no paragrafo nº 1258. Colocamos aqui a citação do próprio Catecismo: “desde sempre, a Igreja mantem a firme convicção de que as pessoas que morrem em razão da fé, sem terem recebido o Batismo, são batizadas por sua morte e com Cristo. Este Batismo de sangue, como o desejo do Batismo, acarreta os frutos do Batismo, sem ser sacramento.

Morte sem o Batismo
Muitas vezes acontece que alguns catecúmenos adultos não tenham recebido o sacramento do Batismo e por consequências da vida acabaram morrendo. O desejo explícito do Batismo, junto com o arrependimento de seus pecados e a caridade, garante-lhes a salvação que não foi possível ser recebida pelo sacramento.

Crianças que morrem sem o Batismo


Muitas vezes ocorre que as crianças morrem sem o Batismo. Tanto aquelas que estavam na preparação para serem batizadas, quanto as que não estavam orientadas pelo caminho da fé, são confiadas à misericórdia infinita de Deus. Contudo, o próprio Cristo disse: “deixai vir a mim as criancinhas” (Mc 10,14), e isso nos permite esperar que haja um caminho de salvação para as crianças que morreram sem o Batismo.


No próximo post falaremos um pouco quem pode receber o Batismo e sobre quem pode batizar. Até lá!

Para a edição deste texto, tivemos como base o:
Catecismo da Igreja Católica. Parágrafos 1258 a 1261
SACRAMENTÁRIO, Ritual do Batismo de Crianças.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O Batismo II - A água e seu significado



“Todo aquele que beber desta água terá sede, mas o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. Mas a água que eu lhe der virá a ser nele a fonte de água, que jorrará até a vida eterna”.  Jo 4,13-14

            Caros leitores, seguindo nossa formação acerca do sacramento do Batismo, vamos hoje meditar e falar um pouco sobre a água e seu significado tanto na liturgia como no Batismo. Segundo o Frei Alberto Bechkauser, a água é “símbolo significativo e forte, que ocorre no Batismo e na Eucaristia”.
Falando propriamente do elemento natural, todos nós sabemos quão importante é a água para a vida humana. Ela é muito mais necessária que os outros alimentos que comemos e mais de 70% do nosso corpo é formado por água. Podemos dizer então que água é vida. Eis que estamos no simbolismo da água.




Com esta interpretação podemos nos transferir para a reflexão junto do sacramento do Batismo, sobretudo a oração para a bênção da água batismal que pode ser feita no dia do Batismo e na Vigília Pascal. Ao longo desta oração nós acompanhamos as maravilhas feitas por Deus na história da salvação do povo. Das águas do início do mundo surge a vida. Assim surge a nova vida das águas do Batismo e um povo novo para Deus que nasce das águas batismais. São Paulo compara o Batismo com o sepulcro, pois no Batismo morremos com Cristo para o pecado e ressurgimos com Ele para uma vida nova. Em toda a tradição da Igreja a pia batismal sempre foi comparada ao seio materno e a uma mãe que dá à luz.
Esta oração no Batismo para a bênção da água foi-se tornando aos poucos uma epiclese para a bênção das águas, ou seja, com uma imploração especial ao poder Divino. Ao mesmo tempo, esta bênção da água é também um memorial, pois recorda a salvação do povo de Deus e é epiclese porque invoca, pela descida do Espírito Santo, a graça salvífica de Cristo para os candidatos ao Batismo. 



 O momento em que o catecúmeno se dirige à Pia Batismal é caracterizado como a descida de Cristo aos infernos e sua luta com o demônio. A palavra catecúmeno vem do grego e significa adquirir pela escuta, ensinar. Antigamente o Batismo de adultos era acompanhado por uma longa preparação que se fazia dentro das celebrações da Quaresma, nas quais os catecúmenos eram inseridos pouco a pouco na comunidade cristã.

A água no Batismo, portanto, significa a purificação e a vida nova, que já fora expressa pelo batismo de penitência de João Batista. O Batismo implica mais do que um sinal de conversão e penitência; é vida nova em Cristo. Os batizados “vestiram-se de Cristo”. Pelo Espírito Santo, o Batismo é um banho que purifica, santifica e justifica. O Batismo é um banho de água no qual a “semente incorruptível da Palavra de Deus produz seu efeito vivificante”.


 Ainda sobre a água na Liturgia temos mais dois momentos. O primeiro deles é a preparação dos dons para o Santo Sacrifício, no qual o sacerdote coloca uma gota d’água no cálice, misturando com o vinho. Esse gesto simboliza o povo de Deus salvo das águas do Batismo pela fé no Sangue redentor que se une a Cristo na oferta de si mesmo ao Pai.


Pelo mistério desta água e deste vinho
Possamos participar da divindade do vosso Filho,
Que se dignou assumir a nossa humanidade.

Por fim, temos o uso da água benta e a aspersão dos fieis nas Missas Dominicais. Este gesto nos faz recordar que cada domingo é uma Páscoa Semanal, em comemoração à Páscoa do Batismo.


 Na próxima postagem falaremos mais sobre a questão da luz (vela) e revestir-se de Cristo.

REFERÊNCIAS
BECKHAUSER, Frei Alberto. Símbolos Litúrgicos, a água. Editora Vozes, 20ª Edição. São Paulo, 2010. p. 16, 17

Catecismo da Igreja Católica. Editora Loyola, 9ª Edição. São Paulo, 2009. Paragrafo 1228.

SARTORE Domenico e TRIACCA Achille. Dicionário de Liturgia. Tradução de Isabel Fontes Leal Ferreira. – São Paulo: Paulus. 4ª Edição, 2009. p. 336, nº 3

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