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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Ofício das Leituras na Oitava da Páscoa I: O Batismo

Na Vigília Pascal, contemplamos a celebração de todos os Sacramentos da Iniciação Cristã: Batismo, Confirmação e Eucaristia. Ao longo dos próximos dias, a Liturgia das Horas nos proporciona reflexões acerca destes três Sacramentos. São as Catequeses de Jerusalém, sem autor identificado. Para fomentar e aumentar este espírito pascal em nós, vamos publicar estas catequeses ao longo desta semana. Começamos hoje com o Batismo.

Segunda leitura
Das Catequeses de Jerusalém
(Cat. 20, Mystagogica 2, 4-6: PG 33,1079-1082)     (Séc.IV)
 
O Batismo, sinal da paixão de Cristo 
        Fostes conduzidos à santa fonte do divino Batismo, como Cristo, descido da cruz, foi colocado diante do sepulcro. 
        A cada um de vós foi perguntado se acreditava no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Vós professastes a fé da salvação e fostes por três vezes mergulhados na água e por três vezes dela saístes; deste modo, significastes, em imagem e símbolo, os três dias da sepultura de Cristo. 
        Assim como nosso Senhor passou três dias e três noites no seio da terra, também vós, na primeira emersão, imitastes o primeiro dia em que Cristo esteve debaixo da terra; e na imersão, a primeira noite. De fato, como aquele que vive nas trevas não enxerga nada, pelo contrário, aquele que anda de dia está envolvido em plena luz. Assim também vós, na imersão, como que mergulhados na noite, nada vistes; mas na emersão, fostes como que restituídos ao dia. Num mesmo instante, morrestes e nascestes, e aquela água de salvação tornou-se para vós, ao mesmo tempo, sepulcro e mãe. 
        Apesar de situar-se em outro contexto, a vós se aplica perfeitamente o que disse Salomão: Há um tempo para nascer e um tempo para morrer (Ecl 3,2). Convosco sucedeu o contrário: houve um tempo para morrer e um tempo para nascer. Num mesmo instante realizaram-se ambas as coisas e, com a vossa morte, coincidiu o vosso nascimento.  
        Ó fato novo e inaudito! Na realidade, não morremos nem fomos sepultados nem crucificados nem ainda ressuscitamos. No entanto, a imitação desses atos foi expressa através de uma imagem e daí brotou realmente a nossa salvação. 
        Cristo foi verdadeiramente crucificado, verdadeiramente sepultado e ressuscitou verdadeiramente. Tudo isto foi para nós um dom da graça, a fim de que, participando da sua paixão através do mistério sacramental, obtenhamos na realidade a salvação. 
        Ó maravilha de amor pelos homens! Em seus pés e mãos inocentes, Cristo recebeu os cravos e suportou a dor; e eu, sem dor nem esforço, mas apenas pela comunhão em suas dores, recebo gratuitamente a salvação. 
        Ninguém, portanto, julgue que o batismo consista apenas na remissão dos pecados e na graça da adoção filial. Assim era o batismo de João que concedia tão-somente o perdão dos pecados. Pelo contrário, sabemos perfeitamente que o nosso batismo não só apaga os pecados e confere o dom do Espírito Santo, mas é também o exemplar e a expressão dos sofrimentos de Cristo. É por isso mesmo que Paulo exclama: Será que ignorais que todos nós, batizados em Jesus Cristo, é na sua morte que fomos batizados? Pelo batismo na sua morte, fomos sepultados com ele (Rm 6,3-4).
 
 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

II Catequese do Papa Francisco sobre o Batismo

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
Na quarta-feira passado demos início a uma breve série de catequeses sobre os Sacramentos, começando pelo Baptismo. E também hoje gostaria de meditar sobre o Baptismo, para ressaltar um fruto muito importante deste Sacramento: ele leva-nos a ser membros do Corpo de Cristo e do Povo de Deus. S. Tomás de Aquino afirma que quantos recebem o Baptismo são incorporados a Cristo quase como seus próprios membros e agregados à comunidade dos fiéis (cf. Summa Theologiae, III, q. 69, art. 5; q. 70, art. 1), ou seja, ao Povo de Deus. Na escola do Concílio Vaticano II, hoje dizemos que o Baptismo nos faz entrar no Povo de Deus, levando-nos a ser membros de um Povo a caminho, um Povo peregrino na história.
Com efeito, assim como a vida se transmite de geração em geração, também de geração em geração, através do renascimento na pia baptismal, é transmitida a graça, e com esta graça o Povo cristão caminha no tempo como um rio que irriga a terra e propaga no mundo a bênção de Deus. Desde que Jesus disse o que ouvimos do Evangelho, os discípulos partiram para baptizar; e desde aquela época até hoje há uma cadeia na transmissão da fé mediante o Baptismo. E cada um de nós é um elo daquela corrente: um passo em frente, sempre; como um rio que irriga. Assim é a graça de Deus, assim é a nossa fé, que devemos transmitir aos nossos filhos, às crianças, para que elas, quando forem adultas, possam transmiti-la aos seus filhos. Assim é o baptismo. Porquê? Porque o baptismo nos faz entrar neste Povo de Deus, que transmite a fé. Isto é deveras importante. Um Povo de Deus que caminha e transmite a fé.
Em virtude do Baptismo nós tornamo-nos discípulos missionários, chamados a levar o Evangelho ao mundo (cf. Exortação Apostólica Evangelii gaudium, 120). «Cada um dos baptizados, independentemente da própria função na Igreja e do grau de instrução da sua fé, é um sujeito activo de evangelização... A nova evangelização deve implicar um novo protagonismo» (ibid.) da parte de todos, de todo o Povo de Deus, um novo protagonismo de cada baptizado. O Povo de Deus é um Povo discípulo — porque recebe a fé — e missionário — porque transmite a fé. É isto que o Baptismo faz entre nós: confere-nos a Graça, transmite-nos a Fé. Todos na Igreja somos discípulos, e somo-lo sempre, a vida inteira; e todos nós somos missionários, cada qual no lugar que o Senhor lhe confiou. Todos: até o mais pequenino é missionário; e aquele que parece maior é discípulo. Mas algum de vós dirá: «Os Bispos não são discípulos, eles sabem tudo; o Papa sabe tudo, e não é discípulo». Não, até os bispos e o Papa devem ser discípulos, pois se não forem discípulos não farão o bem, não poderão ser missionários nem transmitir a fé. Todos nós somos discípulos e missionários.
Existe um vínculo indissolúvel entre as dimensões mística e missionária da vocação cristã, ambas arraigadas no Baptismo. «Ao receber a fé e o batismo, os cristãos acolhem a ação do Espírito Santo, que leva a confessar a Jesus como Filho de Deus e a chamar Deus “Abba”, Pai. Todos os batizados e batizadas... são chamados a viver e a transmitir a comunhão com a Trindade, pois “a evangelização é um chamado à participação da comunhão trinitária”» (Documento final de Aparecida, n. 157).
Ninguém se salva sozinho. Somos uma comunidade de fiéis, somos Povo de Deus e nesta comunidade experimentamos a beleza de compartilhar a experiência de um amor que nos precede a todos, mas que ao mesmo tempo nos pede para ser «canais» da graça uns para os outros, apesar dos nossos limites e pecados. A dimensão comunitária não é apenas uma «moldura», um «contorno», mas constitui uma parte integrante da vida cristã, do testemunho e da evangelização. A fé cristã nasce e vive na Igreja, e no Baptismo as famílias e as paróquias celebram a incorporação de um novo membro a Cristo e ao seu corpo, que é a Igreja (cf. ibid., n. 175b).
A propósito da importância do Baptismo para o Povo de Deus, é exemplar a história da comunidade cristã no Japão. Ela padeceu uma perseguição árdua no início do século XVII. Houve numerosos mártires, os membros do clero foram expulsos e milhares de fiéis foram assassinados. No Japão não permaneceu nem sequer um sacerdote, todos foram expulsos. Então, a comunidade retirou-se na clandestinidade, conservando a fé e a oração no escondimento. E quando nascia um filho, o pai ou a mãe baptizavam-no, pois todos os fiéis podem baptizar em circunstâncias particulares. Quando, depois de cerca de dois séculos e meio, 250 anos mais tarde, os missionários voltaram para o Japão, milhares de cristãos saíram do escondimento e a Igreja conseguiu reflorescer. Sobreviveram com a graça do seu Baptismo! Isto é grande: o Povo de Deus transmite a fé, baptiza os seus filhos e vai em frente. E apesar do segredo, mantiveram um vigoroso espírito comunitário, porque o Baptismo os tinha levado a constituir um único corpo em Cristo: viviam isolados e escondidos, mas eram sempre membros do Povo de Deus, membros da Igreja. Podemos aprender muito desta história!

Catequese do Papa sobre o Batismo

Caros leitores, o Papa Francisco iniciou uma série de catequeses sobre os Sacramentos. A primeira delas, a qual reproduzimos aqui, fala sobre o Sacramento do Batismo.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje começamos uma série de Catequeses sobre os Sacramentos, e a primeira diz respeito ao Baptismo. Por uma feliz coincidência, no próximo domingo celebra-se precisamente a festa do Baptismo do Senhor.
O Baptismo é o sacramentos sobre o qual se fundamenta a nossa própria fé e que nos insere como membros vivos em Cristo e na sua Igreja. Juntamente com a Eucaristia e com a Confirmação forma a chamada «Iniciação cristã», a qual constitui como que um único, grande evento sacramental que nos configura com o Senhor e nos torna um sinal vivo da sua presença e do seu amor.
Pode surgir em nós uma pergunta: mas o Baptismo é realmente necessário para viver como cristãos e seguir Jesus? Não é no fundo um simples rito, uma acto formal da Igreja para dar o nome ao menino ou à menina? É uma pergunta que pode surgir. E a este propósito, é esclarecedor quanto escreve o apóstolo Paulo: «Ignorais, porventura, que todos nós, que fomos baptizados em Jesus Cristo, fomos baptizados na Sua morte? Pelo baptismo sepultámo-nos juntamente com Ele, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, mediante a glória do Pai, assim caminhemos nós também numa vida nova» (Rm 6, 3-4). Por conseguinte, não é uma formalidade! É um acto que diz profundamente respeito à nossa existência. Uma criança baptizada ou uma criança não baptizada não é a mesma coisa. Uma pessoa baptizada ou uma pessoa não baptizada não é a mesma coisa. Nós, com o Baptismo, somos imergidos naquela fonte inesgotável de vida que é a morte de Jesus, o maior acto de amor de toda a história; e graças a este amor podemos viver uma vida nova, já não à mercê do mal, do pecado e da morte, mas na comunhão com Deus e com os irmãos.
Muitos de nós não recordam minimamente a celebração deste Sacramento, e é óbvio, se fomos baptizados pouco depois do nascimento. Fiz esta pergunta duas ou três vezes, aqui, na praça: quem de vós conhece a data do próprio Baptismo, levante a mão. É importante conhecer o dia no qual eu fui imergido precisamente naquela corrente de salvação de Jesus. E permito-me dar um conselho. Mas, mais do que um conselho, trata-se de uma tarefa para hoje. Hoje, em casa, procurai, perguntai a data do Baptismo e assim sabereis bem o dia tão bonito do Baptismo. Conhecer a data do nosso Baptismo significa conhecer uma data feliz. Mas o risco de não o conhecer significa perder a memória daquilo que o Senhor fez em nós, a memória do dom que recebemos. Então acabamos por considerá-lo só como um evento que aconteceu no passado — e nem devido à nossa vontade, mas à dos nossos pais — por conseguinte, já não tem incidência alguma sobre o presente. Devemos despertar a memória do nosso Baptismo. Somos chamados a viver o nosso Baptismo todos os dias, como realidade actual na nossa existência. Se seguimos Jesus e permanecemos na Igreja, mesmo com os nossos limites, com as nossa fragilidades e os nossos pecados, é precisamente graças ao Sacramento no qual nos tornámos novas criaturas e fomos revestidos de Cristo. Com efeito, é em virtude do Baptismo que, libertados do pecado original, somos inseridos na relação de Jesus com Deus Pai; que somos portadores de uma esperança nova, porque o Baptismo nos dá esta nova esperança: a esperança de percorrer o caminho da salvação, a vida inteira. E esta esperança que nada e ninguém pode desiludir, porque a esperança não decepciona. Recordai-vos: a esperança no Senhor nunca desilude. É graças ao Baptismo que somos capazes de perdoar e amar também quem nos ofende e nos faz mal; que conseguimos reconhecer nos últimos e nos pobres o rosto do Senhor que nos visita e se faz próximo. O Baptismo ajuda-nos a reconhecer no rosto dos necessitados, dos sofredores, também do nosso próximo, a face de Jesus. Tudo isto é possível graças à força do Baptismo!
Um último elemento, que é importante. E faço uma pergunta: uma pessoa pode baptizar-se a si mesma? Ninguém pode baptizar-se a si mesma! Ninguém. Podemos pedi-lo, desejá-lo, mas temos sempre a necessidade de alguém que nos confira este Sacramento em nome do Senhor. Porque o Baptismo é um dom que é concedido num contexto de solicitude e de partilha fraterna.
Ao longo da história sempre um baptiza outro, outro, outro... é uma corrente. Uma corrente de Graça. Mas, eu não me posso baptizar sozinho: devo pedir o Baptismo a outra pessoa. É um acto de fraternidade, uma acto de filiação à Igreja. Na celebração do Baptismo podemos reconhecer os traços mais característicos da Igreja, a qual como uma mãe continua a gerar novos filhos em Cristo, na fecundidade do Espírito Santo.
Peçamos então de coração ao Senhor podermos para experimentar cada vez mais, na vida diária, esta graça que recebemos com o Baptismo. Que os nossos irmãos ao encontrar-nos possam encontrar verdadeiros filhos de Deus, verdadeiros irmãos e irmãs de Jesus Cristo, verdadeiros membros da Igreja. E não esqueçais a tarefa de hoje: procurar, perguntar a data do próprio Baptismo. Assim como eu conheço a data do meu nascimento, devo conhecer também a data do meu Baptismo, porque é um dia de festa.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Catequese do Papa Francisco sobre o Batismo

 Caros leitores, na última quarta-feira o Papa Francisco iniciou uma série de catequeses sobre os Sacramentos começando pelo Batismo. Por isso publicamos hoje, Festa do Batismo do Senhor, a catequese do Papa. Fiquemos atentos à sua palavra.




Queridos irmãos e irmãs, bom dia!


Hoje começamos uma série de Catequeses sobre os Sacramentos, e a primeira diz respeito ao Baptismo. Por uma feliz coincidência, no próximo domingo celebra-se precisamente a festa do Baptismo do Senhor.


O Baptismo é o sacramentos sobre o qual se fundamenta a nossa própria fé e que nos insere como membros vivos em Cristo e na sua Igreja. Juntamente com a Eucaristia e com a Confirmação forma a chamada «Iniciação cristã», a qual constitui como que um único, grande evento sacramental que nos configura com o Senhor e nos torna um sinal vivo da sua presença e do seu amor.


Pode surgir em nós uma pergunta: mas o Baptismo é realmente necessário para viver como cristãos e seguir Jesus? Não é no fundo um simples rito, uma acto formal da Igreja para dar o nome ao menino ou à menina? É uma pergunta que pode surgir. E a este propósito, é esclarecedor quanto escreve o apóstolo Paulo: «Ignorais, porventura, que todos nós, que fomos baptizados em Jesus Cristo, fomos baptizados na Sua morte? Pelo baptismo sepultámo-nos juntamente com Ele, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, mediante a glória do Pai, assim caminhemos nós também numa vida nova» (Rm 6, 3-4). Por conseguinte, não é uma formalidade! É um acto que diz profundamente respeito à nossa existência. Uma criança baptizada ou uma criança não baptizada não é a mesma coisa. Uma pessoa baptizada ou uma pessoa não baptizada não é a mesma coisa. Nós, com o Baptismo, somos imergidos naquela fonte inesgotável de vida que é a morte de Jesus, o maior acto de amor de toda a história; e graças a este amor podemos viver uma vida nova, já não à mercê do mal, do pecado e da morte, mas na comunhão com Deus e com os irmãos.


Muitos de nós não recordam minimamente a celebração deste Sacramento, e é óbvio, se fomos baptizados pouco depois do nascimento. Fiz esta pergunta duas ou três vezes, aqui, na praça: quem de vós conhece a data do próprio Baptismo, levante a mão. É importante conhecer o dia no qual eu fui imergido precisamente naquela corrente de salvação de Jesus. E permito-me dar um conselho. Mas, mais do que um conselho, trata-se de uma tarefa para hoje. Hoje, em casa, procurai, perguntai a data do Baptismo e assim sabereis bem o dia tão bonito do Baptismo. Conhecer a data do nosso Baptismo significa conhecer uma data feliz. Mas o risco de não o conhecer significa perder a memória daquilo que o Senhor fez em nós, a memória do dom que recebemos. Então acabamos por considerá-lo só como um evento que aconteceu no passado — e nem devido à nossa vontade, mas à dos nossos pais — por conseguinte, já não tem incidência alguma sobre o presente. Devemos despertar a memória do nosso Baptismo. Somos chamados a viver o nosso Baptismo todos os dias, como realidade actual na nossa existência. Se seguimos Jesus e permanecemos na Igreja, mesmo com os nossos limites, com as nossa fragilidades e os nossos pecados, é precisamente graças ao Sacramento no qual nos tornámos novas criaturas e fomos revestidos de Cristo. Com efeito, é em virtude do Baptismo que, libertados do pecado original, somos inseridos na relação de Jesus com Deus Pai; que somos portadores de uma esperança nova, porque o Baptismo nos dá esta nova esperança: a esperança de percorrer o caminho da salvação, a vida inteira. E esta esperança que nada e ninguém pode desiludir, porque a esperança não decepciona. Recordai-vos: a esperança no Senhor nunca desilude. É graças ao Baptismo que somos capazes de perdoar e amar também quem nos ofende e nos faz mal; que conseguimos reconhecer nos últimos e nos pobres o rosto do Senhor que nos visita e se faz próximo. O Baptismo ajuda-nos a reconhecer no rosto dos necessitados, dos sofredores, também do nosso próximo, a face de Jesus. Tudo isto é possível graças à força do Baptismo!


Um último elemento, que é importante. E faço uma pergunta: uma pessoa pode baptizar-se a si mesma? Ninguém pode baptizar-se a si mesma! Ninguém. Podemos pedi-lo, desejá-lo, mas temos sempre a necessidade de alguém que nos confira este Sacramento em nome do Senhor. Porque o Baptismo é um dom que é concedido num contexto de solicitude e de partilha fraterna.


Ao longo da história sempre um baptiza outro, outro, outro... é uma corrente. Uma corrente de Graça. Mas, eu não me posso baptizar sozinho: devo pedir o Baptismo a outra pessoa. É um acto de fraternidade, uma acto de filiação à Igreja. Na celebração do Baptismo podemos reconhecer os traços mais característicos da Igreja, a qual como uma mãe continua a gerar novos filhos em Cristo, na fecundidade do Espírito Santo.


Peçamos então de coração ao Senhor podermos para experimentar cada vez mais, na vida diária, esta graça que recebemos com o Baptismo. Que os nossos irmãos ao encontrar-nos possam encontrar verdadeiros filhos de Deus, verdadeiros irmãos e irmãs de Jesus Cristo, verdadeiros membros da Igreja. E não esqueçais a tarefa de hoje: procurar, perguntar a data do próprio Baptismo. Assim como eu conheço a data do meu nascimento, devo conhecer também a data do meu Baptismo, porque é um dia de festa.



quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O RIto do Batismo



Caros leitores, enfim publicamos nossa última postagem sobre o sacramento do Batismo. Encerramos esta primeira série sobre o Sacramento, falando sobre o Rito do Batismo. Para tal estudo, tomamos como referência o Ritual do Batismo de Crianças e o Sacramentário. Para o Batismo de adultos, tem que se levar em conta o que ensina e traz o Ritual da Iniciação Cristã de Adultos.

            O Rito do Batismo é dividido em seis partes: acolhida, liturgia da Palavra, liturgia Sacramental, ritos complementares, ritos complementares opcionais e ritos finais.



1.    Ritos de Acolhida
Como em toda ação litúrgica, os ritos de acolhida ou de entrada servem sempre para introduzir os fieis nos mistérios que se vai celebrar e acolher a assembleia participante. Mas no Rito do Batismo, a acolhida é mais do que simplesmente acolhida à assembleia e sim uma acolhida cristã e filial aos que serão batizados e introduzidos na família cristã. Este rito começa estando todos os presentes e próximos ao batistério ou pia batismal. Por parte do celebrante, inicia um diálogo que terminará com pergunta sobre o nome das crianças:

Cel: Queridos pais e mães, vocês transmitiram a vida a estas crianças e as receberam como um dom de Deus, um verdadeiro presente. Que nome vocês escolheram para elas?

Após a indagação do celebrante sobre o nome das crianças, os pais dizem o nome que escolheram em alto e bom som. Ao final, a assembleia aclama: Bendito seja Deus para sempre.
Os pais e padrinho levam seus filhos e afilhados às fontes batismais com o intuito de receber a salvação e o perdão de seus pecados. Por isso, a pergunta seguinte que o celebrante faz é:

Cel: Queridos pais e mães, que pedem à Igreja de Deus para seus filhos e filhas?
Ass: O Batismo!

A resposta deve ser sempre o Batismo. Após de a resposta ser dada, o celebrante continua com a indagação perguntando, primeiramente aos pais, se eles querem ajudá-las a crescer na fé, observando os mandamentos e vivendo na comunidade dos seguidores de Cristo. Ao final os pais respondem sim, queremos! Em seguida pergunta aos padrinhos se eles estão dispostos a fazer o mesmo propósito e por fim pergunta também à assembleia.

Como dito acima, este rito de acolhida visa sobretudo a acolhida e introdução dos que serão batizados no mistério cristão e na comunidade católica aí reunida. Por isso, o rito propriamente de acolhida é o sinal da cruz. O celebrante marca as crianças com o sinal da cruz e diz a seguinte fórmula:

Cel: Nosso sinal é a cruz de Cristo. Por isso vamos marcar estas crianças com o sinal do Cristo Salvador. Assim, N. N., nós os (as) acolhemos na comunidade cristã.


Este sinal é feito pelo celebrante, pelos pais e mães, padrinhos e madrinhas. A próxima etapa é a procissão de entrada que será feita, evidentemente, se os ritos de acolhida tiverem sido feitos à porta da Igreja. Antes porém, o celebrante conclui o rito de acolhida com uma oração:

Cel: Ó Deus, por vosso amor, participamos do mistério da paixão e ressurreição de vosso Filho Jesus Cristo. Fortalecei-nos no Espírito Santo para que caminhemos na vida nova. Por Cristo, nosso Senhor.
Ass: Amém!

Portanto, após essa oração está encerrado o Rito de Acolhida.

2.    Liturgia da Palavra
Como em toda celebração do mistério cristão e principalmente dos Sacramentos, a Palavra de Deus tem um espaço especial e próprio em cada Sacramento. Não é diferente no caso do Batismo. Logo após a entrada dos pais e padrinhos com seus filhos e afilhados na nave da Igreja, é feita a Liturgia da Palavra. Na proclamação da Palavra escolhem-se uma ou duas das seguintes leituras seja do Novo ou do Antigo Testamento, mas uma deve ser do Novo Testamento. Entre as leituras pode ser cantado um salmo responsorial adequado, e antes do Evangelho uma aclamação própria. As leituras podem ser feitas por alguém da comunidade, ou ainda um pai ou mãe ou um dos padrinhos, mas a proclamação do Evangelho sempre reservada ao sacerdote. Posteriormente, o celebrante pode proferir uma breve homilia e depois guardar uns instantes em silêncio.

Após a homilia faz-se a oração dos fieis que pode ser proferida pelo próprio celebrante ou por uma das pessoas presentes na assembleia para o Batismo. No Ritual do Batismo encontramos duas fórmulas de preces. Independente da qual for escolhida, ao final podem ser acrescentadas preces da comunidade. Por fim, as preces se concluem com a invocação dos santos. Mas, toda a prece da assembleia e a invocação dos Santos são omitidas no caso de haver uma procissão até o batistério, quando no caso será cantada a Ladainha de Todos os Santos. Encerrando, os pais e as mães e os padrinhos e madrinhas impõe as mãos sobre as crianças e o sacerdote conclui com a oração:

Cel: Ó Pai, Senhor da vida, enviastes vosso Filho ao mundo para nos libertar da escravidão do pecado e da morte. Lembrai-vos destas crianças que deverão enfrentar muitas vezes as tentações do mal. Libertai-as do poder das trevas. Dai-lhes a força de Cristo e a luz do vosso Espírito, para que, livres do pecado original, vivam sempre como vossos filhos e filhas no seguimento de Jesus. Que vive e reina para sempre, na unidade do Espírito Santo.
Ass: Amém!

Unção Pré-batismal

Neste momento é feita a unção com o óleo dos catecúmenos. O Ritual do Batismo nos traz que esse deve ser um sinal visível e abundante. Por isso, concede-se ao sacerdote a permissão de abençoar o óleo dos catecúmenos no momento da unção. Os pais já devem preparar as crianças de modo a não demorar tanto para a unção. Antes porém, o sacerdote profere a fórmula de ação de graças, após cada invocação a assembleia aclama Bendito seja Deus para sempre. Depois, o celebrante unge o peito das crianças dizendo:

Cel: O Cristo Salvador lhes dê a sua força. Que ela penetre em suas vidas coomo este óleo em seus peitos.



Com a unção batismal está encerrada a Liturgia da Palavra.

3.    Liturgia Sacramental
A liturgia sacramental é o centro do Rito do Batismo, pois é nela que as crianças recebem o Batismo. O rito sacramental começa com a procissão ao batistério e canto da ladainha quando possível. Independente se houver ou não procissão, o celebrante imediatamente passa para o rito de benção da água. Primeiramente, o celebrante convida a comunidade à oração dizendo:

Cel: Meus irmãos e minhas irmãs, sabemos que Deus quis servir-se da água para dar sua vida aos que creem. Unamos nossos corações, suplicando ao Senhor que derrame sua graça sobre os seus escolhidos.

Em seguida o celebrante profere a bênção da água, que pode ser proferida por dois formulários diferentes. Por serem muito extensos, não vamos publicá-los aqui.  Durante um momento da oração, o celebrante mergulha o círio pascal aceso na água e diz:

Cel: Nós vos pedimos, ó Pai, que por vosso Filho desça sobre esta água a força do Espírito Santo. E todos os que, pelo Batismo, forem sepultados na morte com Cristo, ressuscitem com Ele para a vida. Por Cristo, nosso Senhor.
Ass: Amém!



No caso de a água usada tiver sido abençoada na Vigília Pascal, não se mergulha o círio pascal na água.
O último gesto feito antes do Batismo são as promessas batismais feitas pelos pais e padrinhos. Primeiramente o celebrante exorta os fieis e depois prossegue:

Cel: Queridos pais e padrinhos, o amor de Deus vai infundir nestas crianças uma vida nova, nascida da água pelo poder do Espírito Santo. Se vocês estão dispostos a educá-las na fé, renovem agora suas promessas batismais:

Neste momento, então, são feitas as promessas do Batismo:

Cel: Para viver na liberdade dos filhos de Deus, vocês renunciam ao pecado?
Pais e Padrinhos: Renuncio!

Cel: Para viver como irmãos, vocês renunciam a tudo que causa desunião?
P. P.: Renuncio!

Cel: Para seguir Jesus Cristo, vocês renunciam ao demônio, autor e principio do pecado?
P. P.: Renuncio!

Em seguida é feita a profissão de fé:

Cel: Vocês creem em Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra?
P. P: Creio!

Cel: Vocês creem em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, que nasceu da Virgem Maria, padeceu e foi sepultado, ressuscitou dos mortos e subiu ao céu?
P. P.: Creio!

Cel: Vocês creem no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição dos mortos e na vida eterna?
P. P.: Creio!

Cel: Esta é a nossa fé, que da Igreja recebemos e sinceramente professamos, razão de nossa alegria em Cristo, nosso Senhor.
Ass: Graças a Deus!

Terminada a profissão de fé, passa-se imediatamente ao Batismo propriamente dito. Os pais e padrinhos se aproximam do batistério. Antes, porém, o celebrante pergunta mais uma vez aos pais e padrinhos:

Cel: Vocês querem que N. seja batizado na fé da Igreja que acabamos de professar?
P. P.: Queremos!

Depois do último diálogo passa-se então ao Batismo. Convém que a água seja abundante, de modo que o Batismo pareça verdadeiramente uma passagem pela água ou um banho. O Batismo pode ser realizado de três maneiras:

a)    Mergulhando a criança parcial ou totalmente na água;
b)    Derramando água sobre a cabeça da criança e deixando-a escorrer pelo corpo;
c)    Derramando água somente na cabeça.

Em seguida, quem batiza diz:

N., EU TE BATIZO EM NOME DO PAI
Derrama a água pela primeira vez

E DO FILHO
Derrama água pela segunda vez

E DO ESPÍRITO SANTO
Derrama a água pela terceira vez.



O Ritual do Batismo apresenta a opção de que, se for apropriado, pode se fazer a aspersão com água benta sobre os fieis, logo após o Batismo. Neste tempo, faz-se um canto, mas nunca durante o Batismo. As palavras da fórmula do Batismo devem ser ouvidas por todos os presentes.

4.    Ritos Complementares

Unção pós-batismal

Após o momento do Batismo, o celebrante unge a fronte dos neófitos com o óleo do crisma sem dizer nada. Antes, porém, faz uma breve monição descrita no ritual. Caso o número de batizados seja muito grande, pode se omitir esta parte.



Veste Batismal

As crianças são revestidas com a roupa branca para simbolizar que elas nasceram de novo e se revestiram do Cristo. Os pais e padrinhos são chamados a ajudar as crianças em sua missão como filhos e filhas de Deus.

Rito da Luz

As crianças que foram batizadas recebem uma vela acendida no Círio Pascal das mãos de seus padrinhos, enquanto o celebrante proclama Recebam a luz de Cristo.

5.    Ritos Complementares Opcionais

Estes últimos ritos do Batismo são opcionais. Podem ser omitidos quando forem numerosos batizados e mesmo quando for apenas um.

Entrega do Sal

A mãe da criança coloca um pouco de sal na boca de seu filho para representar as palavras de Jesus, que o celebrante dirá:

Cel: Vocês são o sal da terra, disse Jesus.

Éfeta

Lembrando a atitude de Jesus ao dizer efeta, ou seja abre-te, o celebrante toca os ouvidos e a boca de cada criança e diz:

Cel: O Senhor Jesus, que fez os surdos ouvir e os mudos falar, lhe conceda que possa logo ouvir sua Palavra e professar a fé para louvor e glória de Deus Pai.
Ass: Amém!

6.    Ritos Finais

Concluindo a celebração temos os ritos finais, que não podem ser omitidos. Esta última parte do Batismo começa com a oração do Senhor (Pai Nosso), seguida da bênção destinada aos pais, mães, padrinhos e madrinhas e, evidentemente, às crianças. Pode-se, no fim, cantar uma antífona mariana ou fazer uma consagração das crianças à Virgem Maria.
Encerrando, quem preside despede a assembleia com palavras espontâneas, convidando todos a darem o abraço da paz:

Cel: Vão em paz e o Senhor os acompanhe.
Ass: Graças a Deus!



REFERÊNCIA
SACRAMENTÁRIO, Ritual do Batismo de Crianças. 6ª edição. Paulus, São Paulo 2011. p. 15 a 33

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O Batismo parte V - Atributos e o Batismo de Cristo



“Baptismus est sacramentum regenerationis per aquam in verbo”.

“O Batismo é o sacramento da regeneração pela água na Palavra”.





            Caros leitores, nesta quinta e penúltima postagem sobre o Sacramento do Batismo, vamos refletir um pouco sobre o significado do nome batismo e o que o Catecismo e a Sagrada Escritura nos ensinam sobre o Batismo do próprio Cristo.

1.    O nome do Sacramento
O Batismo recebe este nome baseado no vocábulo grego “baptízein”, que traduzido para nosso idioma significa mergulho, imersão. Portanto, é daí que temos o significado do mergulho, que é o sepultamento do catecúmeno na morte de Cristo, da qual com o próprio Jesus ressuscita como nova criatura. Segundo a epístola de São Paulo a Tito, o Batismo pode também ser chamado de banho da regeneração, pois ele significa e realiza este nascimento a partir da água e do Espírito, sem o qual ninguém pode entrar no Reino de Deus.
Segundo São Justino, este Sacramento pode ser chamado também de banho de iluminação, em virtude do recebimento do saber catequético que ilumina nossas vidas. Pois, aquele catecúmeno recebeu no Batismo o Verbo e a luz verdadeira que ilumina todo homem (Jo 1,9) e agora é convertido em filho da luz. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, o Batismo recebe as seguintes características:

Dom:
Porque é conferido àqueles que nada trazem;

Graça:
Porque é dado até a culpados;

Batismo:
Porque o pecado é sepultado na água;

Unção:
Porque é sagrado e régio;

Iluminação:
Porque é luz resplandecente;

Veste:
Porque cobre nossa vergonha;

Banho:
Porque lava;

Selo:
Porque nos guarda e é o sinal de Deus.
Devido ao significado da palavra Batismo (mergulho, imersão), alguns Protestantes afirmam que o Batismo católico não é válido por não ser um mergulho. Isto é mentira e falta de conhecimento de quem crítica a Santa Doutrina Católica. Se analisarmos o Rito do Batismo presente no Sacramentário, veremos que na fórmula explicativa sobre o momento do Batismo, existem três opções para quem está celebrando:

a)    Mergulhando a criança parcial ou totalmente na água;
b)    Derramando água sobre a cabeça e deixando escorrer por todo o corpo;
c)    Derramando água somente na cabeça.

Mas, em qualquer caso, deve ser proferida a fórmula trinitária do Batismo: N., eu te batizo em nome do PAI, do FILHO e do ESPÍRITO SANTO.

2.    Batismo de Jesus
Em Cristo, todas as prefigurações e profecias do Antigo Testamento tornam-se realidade e o Batismo foi uma delas. Pelas mãos de João Batista, o próprio Filho de Deus recebeu o Batismo que era destinado aos pecadores, para que se convertessem. Isto pode suscitar em nós uma pergunta: se Jesus é o Filho de Deus, por que foi batizado? Cristo fez isso para assumir nossa realidade humana, mas sem deixar de ser Divino; fez isso para cumprir a justiça e ser solidário conosco, homens pecadores. O Batismo de Jesus marca um fato importante em sua vida, o início da vida pública. Depois daquele momento, o próprio Cristo vai anunciar o Evangelho e depois encarrega seus discípulos desta missão quando diz: “Ide, pois, fazei que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando a observar tudo quanto vos ordenei”. (Mt 28,19-20)
Mais tarde, o apóstolo Paulo retrata isso na Carta aos Filipenses como o despojamento de Cristo para se tornar semelhante aos homens. E como nos diz a Oração Eucarística IV: “verdadeiro homem concebido do Espírito Santo e da Virgem Maria, viveu em tudo a condição humana, menos o pecado”.
O ápice do Batismo é a Páscoa de Cristo, onde Ele, vencedor da morte e do pecado, abriu a todos os homens as fontes do Batismo.

Na última postagem, vamos descrever o Rito do Batismo.

REFERÊNCIA
Catecismo da Igreja Católica. Parágrafos 1213 a 1216 e 1224 a 1225. Editora Loyola, São Paulo, 1999

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