Neste domingo nosso relacionamento com Deus é analisado para que possa crescer em maturidade e intensidade.
Com
certeza interferirá de modo muito forte nosso relacionamento com o
irmão. Deus, como o Pai, tem como muito importante para que nossa
relação com Ele “vá de vento em popa”
nossa relação com o irmão, principalmente com aquele que é carente de
algum dom para que tenha uma vida feliz. Estar bem com Deus supõe estar
bem com o irmão. Egoísmo, egocentrismo não encontram espaço no
relacionamento com o Senhor. Já quando os discípulos pediram a Jesus que
os ensinasse a rezar, deu-lhes como modelo a oração do Pai-Nosso.
Portanto, quem quer rezar bem deve ter um bom relacionamento com o
outro, só assim poderá falar com o Outro.
A leitura
da Profecia de Amós critica severamente aquele que maltrata o irmão,
que olha a vida com olhos oportunistas para tirar proveito da situação
adversa em que está o carente.
O Evangelho mostra a esperteza de
um administrador corrupto que soube agir de modo previdente quando foi
informado da chegada do momento de prestação de contas
ao proprietário. Ele não se desculpa com o patrão, mas age de modo
inteligente para com os devedores. Na verdade, todos são devedores em
relação ao patrão. Tanto as pessoas que haviam feito empréstimos, como o
administrador que não correspondeu às promessas da contratação. Ele
teve para com os devedores uma atitude amiga e envolvente que os
tornassem gratos à sua ação.
Jesus reconhece sua esperteza porque
ele soube agir de modo excelente com os bens materiais e não ficar na
“rua da amargura” quando chegasse a hora de prestar contas.
Todos nós
- que não fomos fiéis às promessas batismais, especialmente ao amor a
Deus e ao Próximo – somos esse mau administrador. Sabendo chegar nosso
fim – mais cedo ou mais tarde nos encontraremos diante do Senhor e deveremos prestar contas de
nossa vida, de tudo de bom que tivemos e nos foi proporcionado –
tenhamos feito amigos com o que não nos pertence, ou seja, todos os bens
são dons de Deus.
Se usarmos esses bens em favor do carente,
estaremos transformando aquilo que é material em espiritual e além da
“gratidão” de Deus porque “fizemos o bem ao menor de seus irmãos”,
teremos esses carentes, gratos, rogando ao Senhor que perdoe nossas
faltas. E o primeiro a rogar a Deus por nós, para que nos perdoe, será o
próprio Jesus, o Filho de Deus que se fez irmão de todos os homens,
especialmente dos carentes.
Páginas
sábado, 21 de setembro de 2013
sábado, 7 de setembro de 2013
Oração pela Pátria
Ó Maria Imaculada, Senhora da Conceição
Aparecida, aqui tendes, prostrado diante de vossa milagrosa imagem, o
Brasil, que vem de novo consagrar-se à vossa maternal proteção.
Escolhemo-vos por especial Padroeira e Advogada da nossa Pátria;
queremos que ela seja inteiramente vossa: vossa é a sua natureza sem
par; vossas são as suas riquezas; vossos, são os campos e as montanhas,
os vales e os rios; vossa é a sociedade; vossos são os lares e seus
habitantes, com seus corações e tudo o que eles têm e possuem; vosso é,
enfim, todo o Brasil.
Sim, ó Senhora Aparecida, o Brasil é vosso!
Por vossa intercessão temos recebido
todos os bens das mãos de Deus, e todos os bens esperamos receber, ainda
e sempre, por vossa intercessão.
Abençoai, pois, o Brasil que Vos ama; abençoai o Brasil que Vos agradece; abençoai, defendei, salvai o vosso Brasil!
Protegei a Santa Igreja; preservai a
nossa Fé, defendei o Santo Padre; assisti os nossos Bispos; santificai o
nosso Clero; socorrei as nossas famílias; amparai o nosso povo;
esclarecei o nosso governo; guiai a nossa gente no caminho do Céu e da
felicidade! Ó Senhora da Conceição Aparecida, lembrai-Vos de que nós
somos e queremos ser vossos vassalos e súditos fiéis. Mas lembrai-vos
também de que nós somos e queremos ser vossos filhos. Mostrai, pois,
ante o Céu e a Terra, que sois a padroeira poderosa do Brasil e a Mãe
querida de todo o povo brasileiro!
Sim, ó Rainha do Brasil, ó Mãe de todos
os brasileiros, venha sempre mais a nós o vosso reino de amor e, por
vossa mediação, venha a nossa Pátria o reino de Jesus Cristo, vosso
Filho e Senhor Nosso. Amém.
A NOSSA SENHORA APARECIDA
Ó Senhora Aparecida, Mãe querida, tenho
tanta confiança em Vós, que espero a vossa proteção e vosso amparo em
todos os passos de minha vida e na hora da morte. Amém.
Papa Francisco fala sobre o matrimônio
O Sacramento do matrimônio é a imagem da união de Cristo com a Igreja: este foi o tema da homilia do Papa Francisco na capela da Casa Santa Marta.
Partindo do trecho do Evangelho em que Jesus responde aos escribas, o Papa nota que o Senhor faz várias referências a esta imagem do esposo. Jesus, disse ele , fala da sua relação com a Igreja como núpcias. “Creio que este seja o motivo mais profundo pelo qual a Igreja preserva tanto o Sacramento do matrimônio, porque é justamente a imagem da união de Cristo com a Igreja.” O Papa então discorreu sobre duas atitudes com as quais o cristão deveria viver essas núpcias: antes de tudo, com alegria, porque é uma grande festa:
“O cristão é fundamentalmente jubiloso. No final do Evangelho, quando trazem o vinho, quando fala do vinho, penso nas bodas de Caná: e por isso Jesus fez aquelemilagre ;
Maria percebeu que não tinha mais vinho, mas sem vinho não há festa....
Já pensou terminar as bodas tomando chá ou suco: não dá... é festa e
Nossa Senhora pede o milagre. E assim é a vida cristã, alegre, alegre de
coração.”
Certamente há momentos de cruz, de dor, mas há sempre aquela paz profunda do júbilo”. A Igreja se une com o Senhor como uma noiva com seu noivo e, no final do mundo, a festa será definitiva”. A segunda atitude a encontramos na parábola das núpcias do filho do rei. Todos foram convidados, bons e maus. Mas quando a festa tem início, o rei olha para quem não tem as vestes nupciais:
"'Nós temos uma ideia…. mas, padre, como assim? Eles se encontram no cruzamento das estradas e se pede a eles a veste nupcial? O que significa isto?'. É muito simples! Deus nos pede somente uma coisa para entrar nesta festa: a totalidade. O Esposo é o mais importante; o Esposo preenche tudo! E isso nos leva à primeira Leitura, que nos fala tão fortemente da totalidade de Jesus, o primogênito de toda a criação. Nele foram criadas todas as coisas, por meio d’Ele e em vista d’Ele! Ele é o centro, tudo."
Jesus – acrescentou – “é também a cabeça do Corpo da Igreja; Ele é o princípio. E Deus deu a Ele a plenitude, a totalidade, para que n’Ele sejam reconciliadas todas as coisas”. Se a primeira atitude é a festa – disse o Papa –, “a segunda é reconhecer Ele como o único”. Ele nos pede somente isto: que O reconheçamos como o único Esposo”. Ele “é sempre fiel e pede a nós fidelidade”. Não podemos servir a dois Senhores: ou se serve a Deus ou se serve ao mundo:
“Esta é a segunda atitude cristã: reconhecer Jesus como o tudo, o centro, a totalidade. Mas sempre teremos a tentação de jogar fora esta novidade do Evangelho, este vinho novo em atitudes velhas… Os odres velhos não podem levar o vinho novo. É a novidade do Evangelho. Que o Senhor nos dê, a todos nós, a graça de ter sempre esta alegria, como se fôssemos ao casamento. E também ter esta fidelidade ao único esposo, que é o Senhor”.
Partindo do trecho do Evangelho em que Jesus responde aos escribas, o Papa nota que o Senhor faz várias referências a esta imagem do esposo. Jesus, disse ele , fala da sua relação com a Igreja como núpcias. “Creio que este seja o motivo mais profundo pelo qual a Igreja preserva tanto o Sacramento do matrimônio, porque é justamente a imagem da união de Cristo com a Igreja.” O Papa então discorreu sobre duas atitudes com as quais o cristão deveria viver essas núpcias: antes de tudo, com alegria, porque é uma grande festa:
“O cristão é fundamentalmente jubiloso. No final do Evangelho, quando trazem o vinho, quando fala do vinho, penso nas bodas de Caná: e por isso Jesus fez aquele
Certamente há momentos de cruz, de dor, mas há sempre aquela paz profunda do júbilo”. A Igreja se une com o Senhor como uma noiva com seu noivo e, no final do mundo, a festa será definitiva”. A segunda atitude a encontramos na parábola das núpcias do filho do rei. Todos foram convidados, bons e maus. Mas quando a festa tem início, o rei olha para quem não tem as vestes nupciais:
"'Nós temos uma ideia…. mas, padre, como assim? Eles se encontram no cruzamento das estradas e se pede a eles a veste nupcial? O que significa isto?'. É muito simples! Deus nos pede somente uma coisa para entrar nesta festa: a totalidade. O Esposo é o mais importante; o Esposo preenche tudo! E isso nos leva à primeira Leitura, que nos fala tão fortemente da totalidade de Jesus, o primogênito de toda a criação. Nele foram criadas todas as coisas, por meio d’Ele e em vista d’Ele! Ele é o centro, tudo."
Jesus – acrescentou – “é também a cabeça do Corpo da Igreja; Ele é o princípio. E Deus deu a Ele a plenitude, a totalidade, para que n’Ele sejam reconciliadas todas as coisas”. Se a primeira atitude é a festa – disse o Papa –, “a segunda é reconhecer Ele como o único”. Ele nos pede somente isto: que O reconheçamos como o único Esposo”. Ele “é sempre fiel e pede a nós fidelidade”. Não podemos servir a dois Senhores: ou se serve a Deus ou se serve ao mundo:
“Esta é a segunda atitude cristã: reconhecer Jesus como o tudo, o centro, a totalidade. Mas sempre teremos a tentação de jogar fora esta novidade do Evangelho, este vinho novo em atitudes velhas… Os odres velhos não podem levar o vinho novo. É a novidade do Evangelho. Que o Senhor nos dê, a todos nós, a graça de ter sempre esta alegria, como se fôssemos ao casamento. E também ter esta fidelidade ao único esposo, que é o Senhor”.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Palavras do Papa Francisco na abertura do Capítulo Geral dos Agostinianos
Caros leitores, no último dia 28, dia de Santo Agostinho, o Papa Francisco presidiu a Santa Missa de abertura do Capítulo Geral da Ordem dos Frades Agostinianos. Publicamos abaixo as palavras do Santo Padre, com uma atenção especial ao grande Santo Agostinho.
«Fizestes-nos para Vós e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em Vós» (Confissões, I, 1, 1). Com estas palavras, que se tornaram célebres, santo Agostinho dirige-se a Deus nas Confissões, e nestas palavras está a síntese de toda a sua vida.
«Inquietação». Esta palavra impressiona-me e leva-me a meditar. Gostaria de começar a partir de uma pergunta: que inquietação fundamental vive Agostinho na sua existência? Ou ao contrário eu deveria, talvez, dizer: que inquietações nos convida a suscitar e a manter vivas na nossa vida este grande homem e santo? Proponho três: a inquietação da investigação espiritual, a inquietação do encontro com Deus e a inquietação do amor.
A primeira: inquietação da investigação espiritual. Agostinho vive uma experiência bastante comum nos dias de hoje: muito comum entre os jovens de hoje. É educado na fé cristã pela sua mãe Mónica, embora não receba o Baptismo; mas crescendo afasta-se da fé, não encontra nela a resposta para as suas interrogações, para as aspirações do seu coração, e é atraído por outras propostas. Então, entra no grupo dos maniqueus, dedica-se denodadamente aos seus estudos, não renuncia à diversão despreocupada, aos espectáculos daquela época, a amizades intensas; conhece o amor forte e empreende umabrilhante carreira de
mestre de retórica, que o leva até à corte
imperial de Milão. Agostinho é um homem «bem
sucedido», possui tudo, mas no seu coração
subsiste a inquietação da busca do sentido
profundo da vida; o seu coração não está
adormecido, diria que não está anestesiado
pelo sucesso, pelos bens, pelo poder.
Agostinho não se fecha em si mesmo, não se
acomoda, continua a procurar a verdade, o
sentido da vida, continua a buscar a face de
Deus. Sem dúvida, comete erros, percorre
também caminhos errados, peca, é um pecador;
contudo, não perde a inquietação da busca
espiritual. E deste modo descobre que Deus o
esperava, aliás, nunca tinha deixado de ser
o primeiro a procurá-lo. Gostaria de dizer a
quantos se sentem indiferentes a Deus, à fé,
a quantos estão distantes de Deus ou a quem
o abandonou, também a nós, com as nossas
«distâncias» e os nossos «abandonos» de
Deus, talvez pequenos, mas há muitos na vida
quotidiana: olha no fundo do teu coração,
olha no íntimo de ti mesmo e interroga-te:
tens um coração que aspira a algo de grande,
ou um coração entorpecido pelas coisas? O
teu coração conservou a inquietação da
procura, ou permitiste que ele fosse
sufocado pelos bens, que no fim o atrofiam?
Deus espera por ti, procura-te: o que
respondes? Apercebeste-te desta situação da
tua alma, ou ainda dormes? Acreditas que
Deus te espera, ou para ti esta verdade são
somente «palavras»?
Em Agostinho é precisamente esta inquietação do coração que o leva ao encontro pessoal com Cristo, que o leva a compreender que aquele Deus que ele procurava distante de si é o Deus próximo de cada ser humano, o Deus próximo do nosso coração, mais íntimo a nós do que nós mesmos (cf. ibid.,III, 6, 11). Mas até na descoberta e no encontro com Deus, Agostinho não se detém, não se acomoda, não se se fecha em si mesmo, como aquele que já chegou à meta, mas continua o caminho. A inquietação da investigação da verdade, da busca de Deus, torna-se a inquietação de o conhecer cada vez mais e de sair de si mesmo para o dar a conhecer aos outros. Nomeadamente, é a inquietação do amor. Gostaria de uma tranquila vida de estudo e de oração, mas Deus chama-o a ser Pastor de Hipona num momento difícil, com uma comunidade dividida e com a guerra às portas. E Agostinho deixa-se inquietar por Deus, não se cansa de o anunciar, de evangelizar com coragem, sem medo; procura ser a imagem de Jesus Bom Pastor, que conhece as suas ovelhas (cf. Jo 10, 14); aliás, como gosto de repetir, que «sente o cheiro do seu rebanho» e sai à procura das ovelhas tresmalhadas. Agostinho vive aquilo que são Paulo indica a Timóteo e a cada um de nós: anuncia a palavra, insiste oportuna e inoportunamente, prega o Evangelho com o coração magnânimo, grande (cf. 2 Tm 4, 2), de um Pastor que se inquieta pelas suas ovelhas. O tesouro de Agostinho consiste precisamente nesta atitude: sair sempre rumo a Deus, sair sempre rumo ao rebanho... É um homem em tensão, entre estas duas saídas; não «privatiza» o amor... sempre a caminho, sempre a caminho, dizia o Padre. Sempre inquieto! E esta é a paz da inquietação. Podemos perguntar-nos: vivo inquieto por Deus, para o anunciar, para o dar a conhecer? Ou então deixo-me fascinar por aquela mundanidade espiritual que leva a fazer tudo por amor-próprio? Nós, consagrados, pensamos nos interesses pessoais, no funcionalismo das obras, no carreirismo. Mas podemos pensar em muitas coisas... Por assim dizer, «acomodei-me» na minha vida cristã, na minha vida sacerdotal, na minha vida religiosa e até na minha vida de comunidade, ou conservo a força da inquietação por Deus, pela sua Palavra, que me leva a «sair» e ir rumo aos outros?
E venhamos à última inquietação, a inquietação do amor. Aqui não posso deixar de olhar para a mãe, Mónica! Quantas lágrimas derramou aquela santa mulher pela conversão do filho! E quantas mães, também hoje, vertem lágrimas a fim de que os seus filhos voltem para Cristo! Não percais a esperança na graça de Deus! Nas Confissões lemos esta frase que um bispo dirigiu a santa Mónica, que lhe pedia para ajudar o seu filho a reencontrar o caminho da fé: «Não é possível que um filho de tantas lágrimas venha a perecer» (III, 12, 21). O próprio Agostinho, depois da conversão, dirigindo-se a Deus, escreve: «Por amor de mim, chorava diante de Vós a minha mãe, toda fiel, derramando mais lágrimas do que jamais vertem as mães diante da morte física dos seus filhos» (Ibid., III, 11, 19). Mulher inquieta, aquela mulher que no final pronuncia palavras bonitas: cumulatius hoc mihi Deus praestitit! [o meu Deus satisfez-me copiosamente!] (Ibid., IX, 10, 26). Aquilo pelo que ela chorava, Deus concedeu-lhe de maneira abundante! E Agostinho é herdeiro de Mónica, dela recebe a semente da inquietação. Eis, então, a inquietação do amor: procurar sempre, sem tréguas, o bem do outro, da pessoa amada, com aquela intensidade que leva até às lágrimas. Vêm à minha mente Jesus que chora diante do túmulo do amigo Lázaro; Pedro que, depois de ter negado Jesus, encontra o seu olhar rico de misericórdia e de amor, e chora amargamente; o pai que, no terraço, espera a volta do filho e quando ele ainda está longe, vai ao seu encontro; vem à minha mente a Virgem Maria que, com amor, acompanha o Filho Jesus até à Cruz. Como vivemos a inquietação do amor? Cremos no amor a Deus e ao próximo, ou somos nominalistas a este propósito? Não de modo abstracto, não somente palavras, mas o irmão concreto que encontramos, o irmão que está ao nosso lado! Deixamo-nos inquietar pelas suas necessidades, ou permanecemos fechados em nós mesmos, nas nossas comunidades, que com frequência são para nós «comunidades-comodidades»? Às vezes podemos viver num condomínio, sem conhecer quem vive ao nosso lado; ou então podemos viver em comunidade, sem conhecer verdadeiramente o nosso irmão de hábito: amargurado, penso nos consagrados que não são fecundos, que são «solteirões». A inquietação do amor impele sempre a ir ao encontro do outro, sem esperar que seja o outro a manifestar a sua necessidade. A inquietação do amor oferece-nos a dádiva da fecundidade pastoral, e nós devemos perguntar-nos, cada um de nós: como está a minha fecundidade espiritual, a minha fecundidade pastoral?
Estimados Agostinianos, peçamos ao Senhor por vós, que encetais o Capítulo geral, e por todos nós, que conserve no nosso coração a inquietação espiritual de o procurar sempre, a inquietação de o anunciar com coragem, a inquietação do amor por cada irmão e irmã. Assim seja!
«Fizestes-nos para Vós e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em Vós» (Confissões, I, 1, 1). Com estas palavras, que se tornaram célebres, santo Agostinho dirige-se a Deus nas Confissões, e nestas palavras está a síntese de toda a sua vida.
«Inquietação». Esta palavra impressiona-me e leva-me a meditar. Gostaria de começar a partir de uma pergunta: que inquietação fundamental vive Agostinho na sua existência? Ou ao contrário eu deveria, talvez, dizer: que inquietações nos convida a suscitar e a manter vivas na nossa vida este grande homem e santo? Proponho três: a inquietação da investigação espiritual, a inquietação do encontro com Deus e a inquietação do amor.
A primeira: inquietação da investigação espiritual. Agostinho vive uma experiência bastante comum nos dias de hoje: muito comum entre os jovens de hoje. É educado na fé cristã pela sua mãe Mónica, embora não receba o Baptismo; mas crescendo afasta-se da fé, não encontra nela a resposta para as suas interrogações, para as aspirações do seu coração, e é atraído por outras propostas. Então, entra no grupo dos maniqueus, dedica-se denodadamente aos seus estudos, não renuncia à diversão despreocupada, aos espectáculos daquela época, a amizades intensas; conhece o amor forte e empreende uma
Em Agostinho é precisamente esta inquietação do coração que o leva ao encontro pessoal com Cristo, que o leva a compreender que aquele Deus que ele procurava distante de si é o Deus próximo de cada ser humano, o Deus próximo do nosso coração, mais íntimo a nós do que nós mesmos (cf. ibid.,III, 6, 11). Mas até na descoberta e no encontro com Deus, Agostinho não se detém, não se acomoda, não se se fecha em si mesmo, como aquele que já chegou à meta, mas continua o caminho. A inquietação da investigação da verdade, da busca de Deus, torna-se a inquietação de o conhecer cada vez mais e de sair de si mesmo para o dar a conhecer aos outros. Nomeadamente, é a inquietação do amor. Gostaria de uma tranquila vida de estudo e de oração, mas Deus chama-o a ser Pastor de Hipona num momento difícil, com uma comunidade dividida e com a guerra às portas. E Agostinho deixa-se inquietar por Deus, não se cansa de o anunciar, de evangelizar com coragem, sem medo; procura ser a imagem de Jesus Bom Pastor, que conhece as suas ovelhas (cf. Jo 10, 14); aliás, como gosto de repetir, que «sente o cheiro do seu rebanho» e sai à procura das ovelhas tresmalhadas. Agostinho vive aquilo que são Paulo indica a Timóteo e a cada um de nós: anuncia a palavra, insiste oportuna e inoportunamente, prega o Evangelho com o coração magnânimo, grande (cf. 2 Tm 4, 2), de um Pastor que se inquieta pelas suas ovelhas. O tesouro de Agostinho consiste precisamente nesta atitude: sair sempre rumo a Deus, sair sempre rumo ao rebanho... É um homem em tensão, entre estas duas saídas; não «privatiza» o amor... sempre a caminho, sempre a caminho, dizia o Padre. Sempre inquieto! E esta é a paz da inquietação. Podemos perguntar-nos: vivo inquieto por Deus, para o anunciar, para o dar a conhecer? Ou então deixo-me fascinar por aquela mundanidade espiritual que leva a fazer tudo por amor-próprio? Nós, consagrados, pensamos nos interesses pessoais, no funcionalismo das obras, no carreirismo. Mas podemos pensar em muitas coisas... Por assim dizer, «acomodei-me» na minha vida cristã, na minha vida sacerdotal, na minha vida religiosa e até na minha vida de comunidade, ou conservo a força da inquietação por Deus, pela sua Palavra, que me leva a «sair» e ir rumo aos outros?
E venhamos à última inquietação, a inquietação do amor. Aqui não posso deixar de olhar para a mãe, Mónica! Quantas lágrimas derramou aquela santa mulher pela conversão do filho! E quantas mães, também hoje, vertem lágrimas a fim de que os seus filhos voltem para Cristo! Não percais a esperança na graça de Deus! Nas Confissões lemos esta frase que um bispo dirigiu a santa Mónica, que lhe pedia para ajudar o seu filho a reencontrar o caminho da fé: «Não é possível que um filho de tantas lágrimas venha a perecer» (III, 12, 21). O próprio Agostinho, depois da conversão, dirigindo-se a Deus, escreve: «Por amor de mim, chorava diante de Vós a minha mãe, toda fiel, derramando mais lágrimas do que jamais vertem as mães diante da morte física dos seus filhos» (Ibid., III, 11, 19). Mulher inquieta, aquela mulher que no final pronuncia palavras bonitas: cumulatius hoc mihi Deus praestitit! [o meu Deus satisfez-me copiosamente!] (Ibid., IX, 10, 26). Aquilo pelo que ela chorava, Deus concedeu-lhe de maneira abundante! E Agostinho é herdeiro de Mónica, dela recebe a semente da inquietação. Eis, então, a inquietação do amor: procurar sempre, sem tréguas, o bem do outro, da pessoa amada, com aquela intensidade que leva até às lágrimas. Vêm à minha mente Jesus que chora diante do túmulo do amigo Lázaro; Pedro que, depois de ter negado Jesus, encontra o seu olhar rico de misericórdia e de amor, e chora amargamente; o pai que, no terraço, espera a volta do filho e quando ele ainda está longe, vai ao seu encontro; vem à minha mente a Virgem Maria que, com amor, acompanha o Filho Jesus até à Cruz. Como vivemos a inquietação do amor? Cremos no amor a Deus e ao próximo, ou somos nominalistas a este propósito? Não de modo abstracto, não somente palavras, mas o irmão concreto que encontramos, o irmão que está ao nosso lado! Deixamo-nos inquietar pelas suas necessidades, ou permanecemos fechados em nós mesmos, nas nossas comunidades, que com frequência são para nós «comunidades-comodidades»? Às vezes podemos viver num condomínio, sem conhecer quem vive ao nosso lado; ou então podemos viver em comunidade, sem conhecer verdadeiramente o nosso irmão de hábito: amargurado, penso nos consagrados que não são fecundos, que são «solteirões». A inquietação do amor impele sempre a ir ao encontro do outro, sem esperar que seja o outro a manifestar a sua necessidade. A inquietação do amor oferece-nos a dádiva da fecundidade pastoral, e nós devemos perguntar-nos, cada um de nós: como está a minha fecundidade espiritual, a minha fecundidade pastoral?
Estimados Agostinianos, peçamos ao Senhor por vós, que encetais o Capítulo geral, e por todos nós, que conserve no nosso coração a inquietação espiritual de o procurar sempre, a inquietação de o anunciar com coragem, a inquietação do amor por cada irmão e irmã. Assim seja!
Morre o Bispo de Guarulhos
Faleceu na noite de ontem, aos 63 anos, vítima de câncer, o bispo diocesano de Guarulhos, Dom Joaquim Justino Carreira.
Português, Dom Justino foi tradutor da Mensagem de Fátima por ocasião
de sua divulgação oficial pela Santa Sé, no ano 2000. Após a morte do
grande Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, em junho de 2012, Guarulhos perde em
pouco mais de um ano o seu sucessor. Réquiem aetérnam dona ei, Dómine: et lux perpétua lúceat ei
Fonte: Fratres in Unum
Fonte: Fratres in Unum
Assinar:
Postagens (Atom)