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terça-feira, 9 de abril de 2013

Homilia do Papa Francisco na Missa da Ceia do Senhor


Cárcere para Menores "Casal del Marmo" em Roma
Quinta-feira Santa, 28 de março de 2013

Isto é comovente: Jesus lava os pés dos seus discípulos. Pedro não compreendia nada, rejeitava. Mas Jesus lhe explicou. Jesus – Deus – agiu deste modo! O próprio Jesus explica aos discípulos: «Compreendeis o que acabo de fazer? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz» (Jo 13, 12-15). É o exemplo do Senhor: Ele é o mais importante e lava os pés, porque entre nós aquele que está mais elevado deve estar ao serviço dos outros. E isto é um símbolo, um sinal, não é verdade? Lavar os pés significa: “eu estou ao teu serviço”. E também nós, entre nós, não é que isto signifique de devamos lavar os pés todos os dias uns dos outros, mas qual é o seu significado? Significa que devemos nos ajudar, uns aos outros. Às vezes, fico com raiva de alguém, de um, de uma... mas deixa para lá, deixa para lá, e se essa pessoa te pede um favor, fá-lo. Ajudar-nos uns aos outros: é isto que Jesus nos ensina e é isto que eu faço, e o faço de coração, porque é o meu dever. Como sacerdote e como Bispo, devo estar ao vosso serviço. Mas é um dever que me vem do coração: amo-o. Amo-o e amo fazê-lo porque o Senhor assim me ensinou. Mas vós também, ajudai-nos: ajudai-nos sempre. Um ao outro. E assim, ajudando-nos, faremos o bem para nós mesmo. Agora realizaremos esta cerimônia de lavar-nos os pés e pensamos, cada um de nós pensa: “Eu realmente estou disposta, estou disposto a servir, a ajudar o outro?” Pensemos apenas nisto. E pensemos que este sinal é uma carícia de Jesus, que Jesus o faz, pois Jesus veio justamente por isso: para servir, para nos ajudar.

Imagens da Missa da Ceia do Senhor presidida pelo Papa Francisco

 Caros leitores, na Quinta-feira Santa, (28/03) o Santo Padre Francisco presidiu a Santa Missa de início do Tríduo Pascal na casa penitenciária para menores Casal del Marmo. Abaixo postamos algumas fotos:

Procissão de entrada

Ritos Iniciais

Lava-pés


Liturgia Eucarística

Adoração antes da reposiçao

Procissão de saída

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Imagens da Missa da Ceia do Senhor

 O Revmo. Pe. Jonacir Alessi presidiu a Santa Missa da Ceia do Senhor e início do Tríduo Pascal na última quinta-feira. Agradecemos a sra. Adriana Carvalho pelas fotos. Infelizmente não temos imagens a partir da Liturgia Eucarística por falta de bateria na câmera

Incensação do altar

Ritos Iniciais

Liturgia da Palavra

Imposição do incenso

Evangelho

Homilia

Lava-pés



Preces dos fieis

Oblação

Incensação das oferendas e do altar

















quinta-feira, 28 de março de 2013

Fiel pelicano





Memória da morte
de Cristo Senhor,
Pão vivo, que ao homem
dá vida e valor,
fazei-me viver
de vossa ternura,
sentindo nos lábios
a vossa doçura.

Fiel pelicano,
Jesus, meu Senhor,
lavai-me no sangue,
a mim pecador;
pois dele uma gota
já salva e redime
a todo o Universo
dos laços do crime.

Enfim, contemplando
na glória dos céus
o vosso semblante,
sem sombras nem véus,
irei bendizer-vos,
Jesus, Sumo Bem,
ao Pai e ao Espírito
nos séculos. Amém.

Do Hino das Vésperas da Quinta-feira da Ceia do Senhor





Reflexão para Quinta-feira Santa

O Evangelho de João, utilizado para a missa da tarde, mostra que a Páscoa de Jesus não está relacionada com a Páscoa judaica. João não menciona essa páscoa e nem Jerusalém. Para João, a verdadeira Páscoa é a celebrada por Jesus com sua morte.

Ao sentar-se à mesa com seus discípulos, Jesus explicita partilha de vida e de ideais. Isso deveria vir à nossa mente e ao nosso coração quando nos dirigimos a alguma celebração eucarística. Só posso celebrá-la se minha vida é uma constante partilha não só daquilo que tenho, mas principalmente daquilo que sou, partilha de mim mesmo como dom.

João inicia falando da “hora” de Jesus, do amor extremo do Senhor pelos seus e imediatamente mostra que esse amor é concreto e culmina com a cruz.

Jesus ensina que o serviço é amor e quem mais serve é porque mais ama. Ele assume o papel que era atribuído ao escravo gentio e vai lavar os pés de seus discípulos. Pedro, chocado com o que vê, reage peremptoriamente, mas Jesus lhe diz: ou deixa que eu lave seus pés e aceita a nova sociedade onde o súdito é igual ao patrão, ou você não participará do projeto de Deus, da adesão ao Jesus-servo.

Ser cristão é ser servo dos outros!

Pedro precisa mudar sua cabeça. Apesar de servo, tem cabeça de patrão. Está inserido na sociedade classista onde o maior deverá ser servido pelo menor, onde há superiores e inferiores. Cristo inaugura a nova sociedade, a dos filhos de Deus, a dos irmãos em Cristo.

Jesus volta à mesa, isto é, retoma a posição de homem livre - só os livres se sentam à mesa -, mas não retira o avental. O símbolo do servo, o avental, ele o conserva sob o manto. Jesus comenta o que fez, assume que é o Mestre e Senhor de todos e proclama a ordem da nova sociedade: lavar os pés uns dos outros.

Jesus concluirá o lava-pés na cruz, quando de fato nos purificará, nos possibilitará a entrada na Casa do Pai. O entregar-se vai muito além do simples serviço. Entregar-se é dar-se como dom, como dom de si para o outro.

Nisso está o amor. De fato, a entrega de Jesus na cruz para a nossa Redenção – sacrifício que estamos para celebrar – é expressão máxima do Amor de Deus por todos nós.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Homilia do Santo Padre na Missa da Ceia do Senhor

 Caros leitores, ontem o Santo Padre presidiu a Santa Missa da Ceia do Senhor na Basílica de São João de Latrão, que é, por excelência, a catedral do Bispo de Roma. Em sua homilia, Bento XVI deu destaque, evidentemente, à Eucaristia, mas alertou que deve ser celebrada com piedade e devoção todos os dias.
 Abaixo, você confere na íntegra a homilia do papa.



SANTA MISSA NA CEIA DO SENHOR
HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Basílica de São João de Latrão
Quinta-feira Santa, 5 de Abril de 201
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Amados irmãos e irmãs!

A Quinta-feira Santa não é apenas o dia da instituição da Santíssima Eucaristia, cujo esplendor se estende sem dúvida sobre tudo o mais, tudo atraindo, por assim dizer, para dentro dela. Faz parte da Quinta-feira Santa também a noite escura do Monte das Oliveiras, nela Se embrenhando Jesus com os seus discípulos; faz parte dela a solidão e o abandono vivido por Jesus, que, rezando, vai ao encontro da escuridão da morte; faz parte dela a traição de Judas e a prisão de Jesus, bem como a negação de Pedro; e ainda a acusação diante do Sinédrio e a entrega aos pagãos, a Pilatos. Nesta hora, procuremos compreender mais profundamente alguma coisa destes acontecimentos, porque neles se realiza o mistério da nossa Redenção.

Jesus embrenha-se na noite. A noite significa falta de comunicação, uma situação em que não nos vemos um ao outro. É um símbolo da não compreensão, do obscurecimento da verdade. É o espaço onde o mal, que em presença da luz tem de se esconder, pode desenvolver-se. O próprio Jesus – que é a luz e a verdade, a comunicação, a pureza e a bondade – entra na noite. Esta, em última análise, é símbolo da morte, da perda definitiva de comunhão e de vida. Jesus entra na noite para a superar, inaugurando o novo dia de Deus na história da humanidade.

Pelo caminho, Jesus cantou com os seus apóstolos os Salmos da libertação e redenção de Israel, que evocavam a primeira Páscoa no Egito, a noite da libertação. Chegado ao destino Ele, como faz habitualmente, vai rezar sozinho e, como Filho, falar com o Pai. Mas, diversamente do que é costume, quer ter perto de Si três discípulos: Pedro, Tiago e João; são os mesmos três que viveram a experiência da sua Transfiguração – viram transparecer, luminosa, a glória de Deus através da sua figura humana – , tendo-O visto no centro da Lei e dos Profetas, entre Moisés e Elias. Ouviram-No falar, com ambos, acerca do seu «êxodo» em Jerusalém. O êxodo de Jesus em Jerusalém: que palavra misteriosa! No êxodo de Israel do Egipto, dera-se o acontecimento da fuga e da libertação do povo de Deus. Que aspecto deveria ter o êxodo de Jesus, para que nele se cumprisse, de modo definitivo, o sentido daquele drama histórico? Agora os discípulos tornavam-se testemunhas do primeiro trecho de tal êxodo – a humilhação extrema –, mas que era o passo essencial da saída para a liberdade e a vida nova, que o êxodo tem em vista. Os discípulos, cuja proximidade Jesus pretendeu naquela hora de ânsia extrema como elemento de apoio humano, depressa se adormentaram. Todavia ainda ouviram alguns fragmentos das palavras ditas em oração por Jesus e observaram o seu comportamento. Estas duas coisas gravam-se profundamente no espírito deles, que depois as transmitiram aos cristãos para sempre. Jesus chama a Deus «Abbá»; isto significa – como eles adiantam – «Pai». Não é, porém, a forma usual para dizer «pai», mas uma palavra própria da linguagem das crianças, ou seja, uma palavra meiga que ninguém ousaria aplicar a Deus. É a linguagem d’Aquele que é verdadeiramente «criança», Filho do Pai, d’Aquele que vive em comunhão com Deus, na unidade mais profunda com Ele.

Se nos perguntássemos qual era o elemento mais característico da figura de Jesus nos Evangelhos, temos de dizer: a sua relação com Deus. Ele está sempre em comunhão com Deus; estar com o Pai é o núcleo da sua personalidade. Através de Cristo, conhecemos verdadeiramente Deus. «A Deus jamais alguém O viu»: diz São João. Aquele que «está no seio do Pai (…) O deu a conhecer» (1, 18). Agora conhecemos Deus, como Ele é verdadeiramente: Ele é Pai; e Pai com uma bondade absoluta, à qual nos podemos confiar. O evangelista Marcos, que conservou as recordações de São Pedro, narra que Jesus, depois da invocação «Abbá», acrescentou: Tudo Te é possível; Tu podes tudo (cf. 14, 36). Aquele que é a Bondade, ao mesmo tempo é poder, é omnipotente. O poder é bondade e a bondade é poder. Esta confiança podemos aprendê-la a partir da oração de Jesus no Monte das Oliveiras.

Antes de reflectir sobre o conteúdo da súplica de Jesus, devemos ainda fixar a nossa atenção sobre o que os evangelistas nos referem a propósito do comportamento d’Ele durante a sua oração. Mateus e Marcos dizem-nos que «caiu com a face por terra» (Mt 26, 39; cf. Mc 14, 35), assumindo por conseguinte a posição de submissão total, como se manteve na liturgia romana de Sexta-feira Santa. Lucas, por sua vez, diz-nos que Jesus rezava de joelhos. Nos Actos dos Apóstolos, fala da oração de joelhos feita pelos santos: Estêvão durante a sua lapidação, Pedro no contexto da ressurreição de um morto, Paulo a caminho do martírio. Assim Lucas redigiu uma pequena história da oração feita de joelhos na Igreja nascente. Ajoelhando-se, os cristãos entram na oração de Jesus no Monte das Oliveiras. Ameaçados pelo poder do mal, eles ajoelham: permanecem de pé frente ao mundo, mas, enquanto filhos, estão de joelhos diante do Pai. Diante da glória de Deus, nós, cristãos, ajoelhamo-nos reconhecendo a sua divindade; mas, com este gesto, exprimimos também a nossa confiança de que Ele vence.

Jesus luta com o Pai: melhor, luta consigo mesmo; e luta por nós. Sente angústia frente ao poder da morte. Este sentimento é, antes de mais nada, a turvação que prova o homem, e mesmo toda a criatura viva, em presença da morte. Mas, em Jesus, trata-se de algo mais. Ele estende o olhar pelas noites do mal; e vê a maré torpe de toda a mentira e infâmia que vem ao seu encontro naquele cálice que deve beber. É a turvação sentida pelo totalmente Puro e Santo frente à torrente do mal que inunda este mundo e que se lança sobre Ele. Vê-me também a mim, e reza por mim. Assim este momento da angústia mortal de Jesus é um elemento essencial no processo da Redenção; de facto, a Carta aos Hebreus qualificou a luta de Jesus no Monte das Oliveiras como um acontecimento sacerdotal. Nesta oração de Jesus, permeada de angústia mortal, o Senhor cumpre a função do sacerdotes: toma sobre Si o pecado da humanidade, toma a todos nós e leva-nos para junto do Pai.

Por último, devemos debruçar-nos sobre o conteúdo da oração de Jesus no Monte das Oliveiras. Jesus diz: «Pai, tudo Te é possível; afasta de Mim este cálice! Mas não se faça o que Eu quero, e sim o que Tu queres» (Mc 14, 36). A vontade natural do Homem Jesus recua, assustada, perante uma realidade tão monstruosa; pede que isso Lhe seja poupado. Todavia, enquanto Filho, depõe esta vontade humana na vontade do Pai: não Eu, mas Tu. E assim Ele transformou a atitude de Adão, o pecado primordial do homem, curando deste modo o homem. A atitude de Adão fora: Não o que quiseste Tu, ó Deus; eu mesmo quero ser deus. Esta soberba é a verdadeira essência do pecado. Pensamos que só poderemos ser livres e verdadeiramente nós mesmos, se seguirmos exclusivamente a nossa vontade. Vemos Deus como contrário à nossa liberdade. Devemos libertar-nos d’Ele – isto é todo o nosso pensar –; só então seremos livres. Tal é a rebelião fundamental, que permeia a história, e a mentira de fundo que desnatura a nossa vida. Quando o homem se põe contra Deus, põe-se contra a sua própria verdade e, por conseguinte, não fica livre mas alienado de si mesmo. Só somos livres, se permanecermos na nossa verdade, se estivermos unidos a Deus. Então tornamo-nos verdadeiramente «como Deus»; mas não opondo-nos a Deus, desfazendo-nos d’Ele ou negando-O. Na luta da oração no Monte das Oliveiras, Jesus desfez a falsa contradição entre obediência e liberdade, e abriu o caminho para a liberdade. Peçamos ao Senhor que nos introduza neste «sim» à vontade de Deus, tornando-nos deste modo verdadeiramente livres. Amen.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Quinta-feira da Ceia do Senhor

 Caros leitores, mais uma vez estamos iniciando um Tríduo Pascal. Iniciamos a celebração do mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus com a Missa da Ceia do Senhor, no qual o próprio Cristo insitui o sacramento da Eucaristia. Seu Corpo, verdadeira comida e seu sangue verdadeira bebida. Além disso, o próprio Jesus institui o sacerdócio ministerial. Jamais existirá Eucaristia sem sacerdócio e jamais existirá sacerdócio sem Eucaristia.

 A celebração de hoje é como uma Santa Missa comum, mas com alguns ritos a mais. Junto com a instituição da Eucaristia e do sacerdócio, Jesus nos dá o mandamento do amor, mediante sua atitude de lavar os pés dos discípulos. É por essa razão que repetimos este ato todas as vezes em que celebramos a quinta-feira Santa.

Hoje, Cristo nos dá o exemplo de humildade para que todos nós façamos o mesmo entre nós. "Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei." Este é o grande mandamento deixado por Cristo na última ceia. Houve quem perguntasse ao Mestre: quais os maiores mandamentos? E Jesus melhor do que responde, Ele realiza.
Diante disso, vemos a grandeza de Deus manifestada em tão grande humildade, no sacramento da Eucaristia.
Deus vem à nós, pecadores, em sua Divindade. No Rito da Quinta-feira Santa, concluímos o primeiro dia do Tríduo Pascal com a Transladação do Santíssimo Sacramento. O sacrário fica vazio, sinal de que vamos entrar na noite escura. Podemos notar que quando São João diz que Judas pegou o pão embebido no molho era noite. Mas, que noite era essa? É a noite da fé, a noite escura de Jesus que via descortinar toda sua Paixão e Morte; é a noite escura de Judas e a noite de trevas do mundo.

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