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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Mensagem do Papa na Audiência Geral desta Quarta-feira

 Caros leitores, o Papa Bento XVI presidiu a Audiência Geral no Vaticano, como de costume nas quartas-feiras, após voltar da Residência Pontifícia de Castel Gandolfo.

 Abaixo, a breve mensagem do Papa com uma saudação aos fiéis de língua portuguesa.


Queridos irmãos e irmãs,
Impregnados de alegria espiritual pelo triunfo de Cristo sobre o pecado e a morte, vejamos a transformação que a Páscoa operou no coração dos primeiros discípulos. Na tarde do dia da Ressurreição, os discípulos estavam trancados em casa, com medo dos judeus. Contudo, esta situação muda quando Jesus Ressuscitado chega ao meio deles, saudando-os: «A paz esteja convosco». Esta saudação faz os discípulos superarem qualquer temor: a paz, dom da salvação, torna-se para a comunidade fonte de alegria e certeza de vitória. Esta paz, adquirida por Cristo com o seu sangue, deve ser levada pelos os discípulos ao mundo inteiro. Também hoje o Ressuscitado entra em nossas casas e nos nossos corações, apesar de, às vezes, as portas estarem fechadas. Só Ele pode atravessar estas portas e fazer retomar o caminho a quem vive desanimado e sem esperança. Foi isto que experimentaram os dois discípulos de Emaús. Através da escuta da Palavra e do gesto de partir o pão, eles reconheceram a Jesus. Também nós, escutando a palavra de Deus e participando na Eucaristia, experimentamos Cristo presente junto de nós, dando-nos alegria e paz, vida e esperança.
* * *
Amados peregrinos de língua portuguesa, a minha saudação amiga para todos, de modo particular para os brasileiros aqui presentes. Deixai-vos encontrar por Cristo Ressuscitado, pois só Ele tem o poder de dar a vida e fazer renascer como filhos de Deus: Ele libertar-vos-á do medo e dará pleno sentido às vossas vidas. Ide em paz!


sábado, 24 de março de 2012

Quinto Domingo da Quaresma

QUEREMOS VER JESUS.” Este é o desejo dos discípulos gregos de João Batista ao se dirigirem a Filipe e, certamente também nosso. Quando Filipe e André levaram esse desejo ao Senhor, escutaram a seguinte declaração: “Quem se apega à sua vida, perde-a; Se alguém me quer servir, siga-me.”

Nada de euforia, pelo contrário. Muita lucidez e autêntica seleção. Jesus veio para todos nós e deseja ser acolhido por todos, mas seu seguimento está no abandono, na entrega, na doação como vimos no domingo passado. Por outro lado, o Senhor diz: “Quem faz pouco de sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna.

Nossa natureza rejeita tudo aquilo que é dor, que é desagradável, que é morte. Mas por que essa fuga? Vamos ficar fugindo a vida toda sabendo que a morte terá a última palavra? Chegará um momento em que nada adiantará e morreremos. É isso que Deus quer? Foi isso que Ele planejou para nós?

Certamente não. Se fosse assim seríamos pessoas conformadas com a morte, com o destino de caminhar neste vale de lágrimas e morrer dolorosamente.

Mas não é assim. Queremos a vida e a queremos plenamente, com saúde, carinho, amor, eternamente feliz. Tudo isso porque essa é a nossa marca registrada. Fomos feitos pela vida e para a vida. Deus, Vida, nos fez para Ele, a VIDA. Por isso, tudo aquilo que traz sinais de morte, nós rejeitamos.

Contudo, frequentemente, nos enganamos. Quantas e quantas vezes escolhemos o caminho da morte como se fosse o da vida! O egoísmo, o “não” dito ao apelo da caridade, ao gesto de amor e de perdão, o “sim” ao pecado, tudo isso são enganos e envenenamento para nossa vida feliz e para o encontro com o sofrimento e a morte.

Quando os gregos pediram para ver Jesus, estavam pedindo para ver a Vida e a Vida se apresentou a eles como serviço, entrega, doação.

A vida diz que ela não se coaduna com a morte e nem com seus sinais, ou seja, egocentrismo, personalismo, e seus familiares.

E nós, queridos irmãos,? Também nós queremos ver Jesus, mas como analgésico para nossos males, ou como saúde, como Vida?

Aceitamos suportar sofrimentos por causa de nossa fé em Jesus? Aceitamos renúncias, abnegações para que a vida do outro seja mais saudável e feliz?

Como é nossa relação conjugal, familiar e de amizade? É relação libertadora, de doação, de crescimento ou nós a privatizamos e subordinamos o outro às nossas necessidades e caprichos, ou nós aos dele?

Ver Jesus, encontrar Jesus são atos libertadores, atos de vida.

Do mesmo modo que Moisés foi convidado a tirar suas sandálias porque estava em terra sagrada, o que devo tirar de meu coração para que, de fato, possa ver Jesus e permanecer com ele?

A 1ª leitura fala da lei da Aliança impressa pelo Pai em nossas entranhas, e a 2ª, da obediência de Jesus que se tornou salvação para todos nós. Aliança e obediência são provocadoras de vida, aliás, já são a própria Vida.

Que cada dia, o desejo de ver Jesus, renove em nós a obediência que nos une ao Pai e nos torna produtores generosos de bons frutos. Só produz frutos quem está com Jesus.

Pe. Cesar Augusto dos Santos


Fonte: http://www.radiovaticana.org/

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Catequese do Santo Padre

  Caros leitores, como de costumes nas quartas-feiras, postamos a mensagem do Santo Padre, Bento XVI, em sua catequese na Audiência Geral no Vaticano. Hoje, o tema do Santo Padre foi a oração de Jesus na cruz.  Acompanhe na íntegra:

Tema da Catequese de hoje do Papa foi sobre a oração de Jesus na Cruz




Queridos irmãos e irmãs,
Hoje gostaria de refletir convosco sobre a oração de Jesus na iminência da morte, detendo-me sobre aquilo que nos refere São Marcos e São Mateus. Os dois Evangelistas retratam a oração de Jesus, que está morrendo, não somente na língua grega, com a qual foi escrita a narração, mas, para a importância destas palavras, também em uma mistura de hebraico e aramaico.

Disto nos foi transmitido não somente o conteúdo, mas também o tom que tal oração teve nos lábios de Jesus: escutamos realmente as palavras de Jesus como eram, ao mesmo tempo, eles nos descreveram a atitude dos presentes diante da crucificação, que não compreenderam - ou não quiseram compreender – esta oração.

Escreve São Marcos, como escutamos: "Ao meio dia, a terra ficou escura até as três da tarde. Às três, Jesus gritou em alta voz: "Eloì, Eloì, lemà sabactàni?", que significa: "Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonastes?" (15,34). Na estrutura da narração, a oração, o grito de Jesus se levanta no cume das três horas de trevas, que, do meio-dia até as três da tarde, calaram sobre toda a terra.

Estas três horas de escuridão, são, por sua vez, a continuação de um precedente lapso de tempo também de três horas, iniciado com a crucificação de Jesus. O Evangelista Marcos, de fato, nos informa que: "Eram nove horas da manhã quando o crucificaram" (cfr 15,25). Da junção das indicações horárias da narração, as seis horas de Jesus sobre a cruz são articuladas em duas partes cronologicamente equivalentes.

Nas primeiras três horas, das nove ao meio dia, se apresentam insultos dos diversos grupos de pessoas, que mostram o seu ceticismo e afirmam não acreditarem. Escreve São Marcos: "Aqueles que passavam por ele, o insultavam" (15,29); "assim também os sumo-sacerdotes, com os escribas, entre eles escarneciam dele" (15,31); "e também aqueles que estavam crucificados com ele o insultavam" (15,32).

Nas três horas seguintes, do meio dia às três da tarde, o Evangelista fala somente das trevas que caíram sobre a terra, o escuro ocupa sozinho toda a cena sem qualquer referência sobre o movimento dos personagens ou das palavras. Quando Jesus se aproxima sempre mais da morte, existe somente a escuridão que cala sobre toda a terra. Também o cosmo toma parte deste evento: o escuro envolve pessoas e coisas, mas também neste momento de trevas Deus está presente, não abandona.

Na tradição bíblica, o escuro tem um significado ambivalente: é sinal da presença e da ação do mal, mas também de uma misteriosa presença e ação de Deus que é capaz de vencer toda treva. No livro do Êxodo, por exemplo, lemos: "O Senhor disse a Moisés: "Eis, eu estou por vir diante de ti em uma densa nuvem" (19,9); e ainda: "O povo se coloca distante, enquanto Moisés avança em direção à nuvem escura onde estava Deus" (20,21). E nos discursos de Deuteronômio, Moisés narra: "O monte ardia, com o fogo que se levantava até a sumidade do céu, entre trevas, nuvens e obscuridade" (4,11); vós ouvistes a voz em meio as trevas, enquanto o monte era todo em chamas" (5,23).

Na cena da crucificação de Jesus as trevas envolvem a terra e são trevas de morte nas quais o Filho de Deus se imerge para levar a vida, com o seu ato de amor.

Voltando à narração de São Marcos, diante dos insultos das diversas categorias de pessoas, diante do escuro que cala tudo, no momento no qual está diante da morte, Jesus com o grito da sua oração mostra que, junto ao peso do sofrimento e da morte no qual parece que existe um abandono, a ausência de Deus, Ele tem a plena certeza da proximidade do Pai, que aprova este ato supremo de amor, de dom total de Si, apesar de não se ouvir, como em outros momentos, a voz do alto.

Lendo os Evangelhos, se chega à conclusão que em outros momentos importantes da sua existência terrena, Jesus tenha visto associar-se aos sinais da presença do Pai e da aprovação ao seu caminho de amor, também a voz esclarecedora de Deus. Assim, no momento que segue o batismo no Jordão, ao romper dos céus, se ouvia a palavra do Pai: "Tu és meu Filho muito amado: em ti coloquei toda a minha afeição" (Mc 1,11). Na transfiguração, depois, ao sinal da nuvem, se aproximava a palavra: "Este é meu filho muito amado, escutem-no!" (Mc 9,7). Ao invés disso, ao aproximar-se da morte do crucificado, vem o silêncio, não se escuta nenhuma voz, mas o olhar de amor do Pai permanece fixo sobre o dom de amor do Filho.

Mas qual significado da oração de Jesus, naquele grito que é lançado ao Pai: "Meu Deus, Meu Deus, por que abandonantes"? Existe a dúvida da sua missão, da presença do Pai? Nesta oração não existe talvez a consciência exata de ter sido abandonado? As palavras que Jesus dirige ao Pai são o início do Salmo 22, no qual o Salmista manifesta a Deus a tensão entre o se sentir deixado sozinho e a consciência certa da presença de Deus em meio ao seu povo. O Salmista reza: "Meu Deus, grito pela manhã e não respondes; à noite, e não existe trégua para mim. Mesmo assim, Tu és Santo, Tu sentas no trono entre os louvores de Israel" (v. 3-4). O Salmista fala de "grito" para exprimir todo o sofrimento da sua oração diante de Deus aparentemente ausente: no momento da angústia a oração de torna um grito.

E isto acontece também no nosso relacionamento com o Senhor: diante das situações mais difíceis e dolorosas, quando parece que Deus não escuta, não devemos temer de confiar a Ele todo o peso que trazemos no nosso coração, não devemos ter medo de gritar a Ele o nosso sofrimento, devemos estar convencidos que Deus está próximo, também se aparentemente não fala.

Repetindo da cruz as palavras iniciais do Salmo, "Eli, Eli, lemà sabactàni?" - "Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonastes?" (Mt 27,46), gritando as palavras do Salmo, Jesus reza no momento da última rejeição dos homens, no momento do abandono; reza, entretanto, com o Salmo, na consciência da presença de Deus Pai também nesta hora na qual sente o drama humano da morte.
Mas em nós surge uma pergunta: como é possível que um Deus tão potente não intervenha para livrar o Filho dessa prova terrível? É importante compreender que a oração de Jesus não é um grito de quem vai de encontro ao desespero e à morte e nem mesmo é o grito de quem sabe que foi abandonado. Jesus naquele momento faz seu todo o Salmo 22, o Salmo do povo de Israel que sofre, e deste modo toma sobre si a pena do seu povo, mas também aquela de todos os homens que sofrem pela opressão do mal, e ao mesmo tempo, leva tudo isso ao coração do próprio Deus, na certeza que o seu grito será acolhido na Ressurreição: "o grito no extremo tormento é ao mesmo tempo certeza da resposta divina, certeza da salvação - não somente pelo próprio Jesus, mas por muitos" (Jesus de Nazaré II, 239-240).

Nesta oração de Jesus se uneM a extrema confiança e o abandono nas mãos de Deus, também quando Ele parece ausente, também quando Ele parece permanecer em silêncio seguindo um desígnio a nós incompreensível.

No Catecismo da Igreja Católica lemos assim: No amor redentor que sempre o unia ao Pai, Jesus nos assumiu na nossa separação de Deus por causa do pecado ao ponto de poder dizer em nosso nome sobre a cruz: "Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonastes"?(n.603). O seu é um sofrimento em comunhão conosco e para nós, que deriva do amor e já leva consigo a redenção, a vitória do amor.

As pessoas presentes junto a cruz de Jesus não conseguem entender e pensam que o seu grito seja uma súplica voltada para Elias. Na cena, elas procuram matar a sede dele para prolongar-lhe a vida e verificar se verdadeiramente Elias virá em seu socorro, mas um forte grito põe um fim à vida terrena de Jesus e ao desejo deles.

No momento extremo, Jesus deixa que no seu coração exprima dor, mas deixa brotar, ao mesmo tempo, o sentido da presença do Pai e o consenso ao seu desígnio de salvação para a humanidade. Também nós, nos encontramos sempre e novamente diante do "hoje" do sofrimento, do silêncio de Deus -  o exprimimos tantas vezes na nossa oração -  mas nos encontramos também diante do "hoje" da Ressurreição, da resposta de Deus que tomou sobre si os nosso sofrimentos, para levá-los junto conosco e dar-nos a firme esperança que eles serão vencidos (cfr Encíclica Spe Salvi, 35-40)

Queridos amigos, na oração, levamos a Deus as nossas cruzes cotidianas, na certeza que Ele está presente e nos escuta. O grito de Jesus nos recorda como a na oração devemos superar as barreiras do nosso "eu" e dos nossos problemas e abrir-nos às necessidades e aos sofrimentos dos outros. A oração de Jesus que morre sobre a cruz nos ensine a rezar com amor por tantos irmãos e irmãs que sentem o peso da vida cotidiana, que vivem momentos difíceis, que estão na dor, que não tem uma palavra de conforto; levamos tudo isso ao coração de Deus, para que também esses possam sentir o amor de Deus que não nos abandona nunca.
Obrigado!




Bento XVI durante audiência desta quarta-feira

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Mensagem do Papa na oração do Ângelus

Papa Bento XVI sauda os fiéis para a oração do Ângelus


 Bento XVI assomou ao meio-dia deste domingo à janela de seus aposentos – que dá para a Praça São Pedro – para rezar a oração do Angelus.
A verdadeira juventude está no serviço à vida e a fé no amor de Deus é a verdadeira resposta para derrotar o mal. Foi o que disse o Pontífice – na alocução que precedeu a oração mariana – aos fiéis, peregrinos e turistas presentes na Praça São Pedro, no Dia pela Vida e em vista do próximo Dia Mundial do Enfermo.
Jesus que cura os doentes. Inspirado pelo Evangelho deste V Domingo do Tempo Comum, Bento XVI deteve-se sobre a condição de quem se encontra enfermo, "uma condição tipicamente humana, em que experimentamos fortemente que não somos auto-suficientes, mas necessitados dos outros:
"Nesse sentido podemos dizer, com um paradoxo, que a doença pode ser um momento salutar em que se pode experimentar a atenção dos outros e dar atenção aos outros!"
"Todavia, ela é sempre uma provação – acrescentou – que pode tornar-se inclusive longa e difícil."
"Quando a cura não chega e os sofrimentos se prolongam, podemos permanecer como que esmagados, isolados, e então a nossa existência se deprime e se desumaniza."
"Como podemos reagir a esse ataque do Mal?", perguntou-se o Papa. Certamente com as terapias apropriadas – a medicina nestas décadas deu passos gigantescos – observou –, mas "existe uma atitude decisiva e de fundo com a qual enfrentar a doença: a atitude da fé". "Mas fé em que? No amor de Deus".
"Eis a verdadeira resposta, que derrota radicalmente o Mal. Assim como Jesus enfrentou o Maligno com a força do amor que lhe vinha do Pai, também nós podemos enfrentar e vencer a provação da doença mantendo o coração imerso no amor de Deus."
"Todos conhecemos – disse o Pontífice – pessoas que suportaram sofrimentos terríveis porque Deus lhes dava uma profunda serenidade", assim como a Beata Chiara Badano, ceifada no florescer da juventude por um mal incurável, capaz de dar "luz e confiança" aos que iam visitá-la.
Mas, "todavia, na doença, todos precisamos de calor humano"...
"...para confortar uma pessoas doente, mais do que as palavras, conta a proximidade sincera."
Em seguida, em vista do Dia Mundial do Enfermo, a ser celebrado no próximo sábado, dia 11, Bento XVI exortou a pedirmos a intercessão de Maria, "especialmente pelas situações de maior sofrimento e abandono".
Após a oração dominical, o Pontífice recordou o Dia pela Vida – realizado pela Igreja italiana –, celebração "iniciada para defender a vida nascente, e depois estendida a todas as fases e condições da existência humana". A celebração deste ano tem como tema "Jovens abertos à vida".
"Uno-me aos Pastores da Igreja na Itália no afirmar que a verdadeira juventude se realiza no acolhimento, no amor e no serviço à vida" – destacou o Pontífice.
Antes de despedir-se dos presentes, referindo-se ao frio intenso destes dias e à neve que desde sexta-feira cai em Roma revestindo de branco a capital italiana, o Papa frisou que "a neve é bela", mas fez votos de que "logo chegue a primavera".
Bento XVI concedeu a todos os presentes a sua Bênção Apostólica.


domingo, 29 de janeiro de 2012

Mensagem do Papa Bento XVI no Ângelus

Caros irmãos, hoje o Santo Padre Bento XVI rezou, como de costume, a oração do Ângelus ao meio-dia, deste domingo o Quarto do Tempo Comum. Em resumo trazemos o que o Santo Padre falou na sua mensagem dominical.
Para Deus, “autoridade significa serviço, humildade, amor”, destacou o Papa Bento XVI, antes da oração do Angelus, ao meio-dia deste domingo, 29, na praça de São Pedro, no Vaticano. O Santo Padre comentou o Evangelho do dia, que apresenta Jesus na sinagoga de Cafarnaum, curando um possesso e “ensinando como quem tem autoridade”, não como os escribas.
O Papa recordou que o texto do Evangelho fala da admiração suscitada por Jesus pelo modo como ensinava, curando ao mesmo tempo das enfermidades e escravidões alguns dos que o escutavam: “à eficácia da palavra, Jesus unia a dos sinais de libertação do mal”.
“A autoridade divina não é uma força da natureza. É o poder do amor de Deus que cria o universo e, encarnando-se no Filho Unigênito, descendo na nossa humanidade, purifica e restabelece o mundo corrompido pelo pecado”, explicou Bento XVI. Como escreve Romano Guardini, “toda a existência de Jesus traduz a potência da humildade… a soberania que se abaixa à forma de servo”.
O Santo Padre explicou que, para o homem, muitas vezes, autoridade significa posse, poder, domínio e sucesso, mas para Deus, autoridade significa serviço, humildade e amor. "[Para Deus] significa entrar na lógica de Jesus que se inclina para lavar os pés dos discípulos, que procura o verdadeiro bem do homem, que cura as feridas, que é capaz de um amor tão grande (ao ponto) de dar a vida, porque é o Amor", enfatizou.
Após a oração do Ângelus, Bento XVI saudou os jovens da Ação Católica, que se reuniram na Praça de São Paulo, participando de uma "Caravana da Paz", com seus familiares e educadores.“Caros adolescentes, também este ano destes vida à 'Caravana da Paz'. Agradeço-vos e encorajo-vos a levar por toda a parte a paz de Jesus”.
Em seguida, uma das crianças da Ação Católica de Roma, leu uma mensagem ao Papa. Logo após, o Pontífice soltou duas pombas brancas, como símbolo de paz para Roma e para o mundo inteiro.


Papa Bento XVI soltando duas pombas, sinal de paz para Roma e o mundo todo.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Segunda-feira, dia de oração pelos falecidos


Caros leitores, acho que não é novidade para todos que na segunda-feira é costume rezar pelos fieis defuntos. De fato, esta bonita tradição passa-se de pai para filho, diga-se de passagem. Pelo menos em minha família, aprendamos com nossa avó que toda segunda-feira deixa de lado o serviço da casa para poder dedicar seu dia para rezar pelos falecidos. Evidentemente, o mundo de hoje não nos permite fazer esta pausa espiritual, mas vale lembrar que devemos rezar pelos falecidos em algum momento do dia. Pode ser um simples Glória ao Pai. Simples, mas cheio de amor e saudade daqueles que partiram. Escrevendo esta postagem, lembrei do que disse nosso pároco em sua homilia no dia da Epifania do Senhor: "Devemos ser mais místicos e encontrar Deus nas pequenas coisas."  Trazendo nossos entes queridos à mente, já estamos rezando por eles. Por isso, trago hoje uma mensagem do Santo Padre, Bento XVI, sobre o dia de Finados e a oração pelos mortos. Esta mensagem é do Ângelus de 01º de Novembro de 2011, na Solenidade de Todos os Santos.
"A Comemoração dos fiéis defuntos, à qual é dedicado o dia de amanhã, 2 de Novembro, ajuda-nos a recordar os nossos entes queridos que nos deixaram, e todas as almas a caminho rumo à plenitude da vida, precisamente no horizonte da Igreja celeste, para a qual a Solenidade hodierna nos elevou. Desde os primeiros tempos da fé cristã, a Igreja terrena, reconhecendo a comunhão de todo o Corpo místico de Jesus Cristo, cultivou com grande piedade a memória dos mortos e ofereceu sufrágios por eles. Portanto, a nossa oração pelos defuntos é não só útil mas também necessária, enquanto ela não só os pode ajudar, mas ao mesmo tempo torna eficaz a sua intercessão em nosso benefício (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 958). Também a visita aos cemitérios, enquanto conserva os vínculos de afecto com quantos nos amaram nesta vida, recordamos que todos tendemos para uma outra vida, para além da morte. Por isso o pranto, devido à separação terrena, não prevaleça sobre a certeza da ressurreição, sobre a esperança de alcançar a bem-aventurança da eternidade, «instante repleto de satisfação, onde a totalidade nos abraça e nós abraçamos a totalidade» (Spe salvi, 12). Com efeito, o objecto da nossa esperança é o júbilo na presença de Deus na eternidade. Jesus prometeu-o aos seus discípulos, dizendo: «Hei-de ver-vos novamente, e o vosso coração alegrar-se-á, e ninguém vos privará da vossa alegria» (Jo 16, 22).
À Virgem Maria, Rainha de Todos os Santos, confiemos a nossa peregrinação rumo à Pátria celeste, enquanto invocamos para os irmãos e as irmãs defuntos a sua intercessão materna."

Bento XVI


Rezemos juntos por todos os fieis falecidos:

- Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno!
- E que a luz perpétua os ilumine.
- Descanse em paz!
- Amém.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Mensagem do Papa no Ângelus deste domingo

Bento XVI de sua janela para a recitação do Ângelus neste domingo

Neste domingo, às 12h, da janela de seu escritório, no Palácio Apostólico Vaticano, o Papa Bento XVI recitou o Angelus aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro. O Papa convidou todos a unirem-se pela Semana de Oração pela Unidade dos Cristão, pois este é um desejo do próprio Cristo expresso na oração de na vigília de Sua paixão.
“Convido cordialmente todos a unirem-se à oração que Jesus dirigiu na vigília de Sua paixão: “Que todos sejam uma coisa só, para que o mundo creia” (Jo 17,21)”, pediu o Papa.
Na íntegra, mensagem do Papa Bento XVI para o Ângelus deste domingo, 22 de janeiro, Terceiro do Tempo Comum:

Queridos irmãos e irmãs!

Este domingo cai em meio a Semana de oração pela unidade dos cristãos, que se celebra de 18 a 25 de janeiro. Convido cordialmente todos a unirem-se à oração que Jesus dirigiu na vigília de Sua paixão: “Que todos sejam uma coisa só, para que o mundo creia” (Jo 17,21).

Este ano, em particular, a nossa meditação na Semana de oração pela unidade faz referência a uma passagem da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, da qual se formula o tema: Todos seremos transformados pela vitória de Jesus Cristo, nosso Senhor (cfr 1 Cor 15,51-58).

Somos chamados a contemplar a vitória de Cristo sobre o pecado e sobre a morte, isto é, sua ressurreição, como um evento que transforma radicalmente aqueles que crêem Nele e se abrem o acesso a uma vida incorruptível e imortal. Reconhecer e acolher a força transformadora da fé em Jesus Cristo sustenta os cristãos também na busca da plena unidade entre eles.

Este ano, os subsídios para a Semana de oração pela unidade dos cristãos foram preparados por um grupo polonês. De fato, a Polônia conheceu uma longa história de lutas corajosas contra várias adversidades e mostrou repetidamente grande determinação, animada pela fé.

Por isso, as palavras que formam o tema, que lhes falei anteriormente, têm uma ressonância e é particularmente incisiva para a Polônia. No decorrer dos séculos, os cristãos poloneses constituíram espontaneamente uma dimensão espiritual em seu desejo pela liberdade e perceberam que a verdadeira vitória pode ser alcançada somente se acompanhada por uma profunda transformação interior.

Estes nos recordam que nossa busca por unidade pode ser conduzida de maneira realista se a mudança vier, antes de tudo, de nós mesmos, se deixamos Deus agir, se nos deixamos transformar pela imagem de Cristo, se entramos na vida nova em Cristo, que é verdadeira vitória.

A unidade visível de todos os cristãos é sempre obra que vem do alto, de Deus, obra que pede a humildade de reconhecer nossa fraqueza e de acolher o dom. Porém, vale usar uma expressão que o próprio Beato João Paulo II usava: cada dom se torna também um empenho. A unidade que vem de Deus exige, portanto, o nosso empenho cotidiano de nos abrir uns aos outros na caridade.

Há muitas décadas, a Semana de oração pela unidade dos cristãos constitui um elemento central na atividade ecumênica da Igreja. O tempo que dedicaremos à oração para a plena comunhão dos discípulos de Cristo nos permitirá compreender mais profundamente como seremos transformados por Sua vitória, pela potência de Sua ressurreição.

Na próxima quarta-feira, como é de costume, concluiremos a Semana de oração com a solene celebração das Vésperas da Festa da Conversão de São Paulo, na Basílica de São Paulo fora dos muros, na qual serão presentes também representantes das outras Igrejas e Comunidades cristãs. Muitos são esperados a este encontro litúrgico para renovarmos juntos nossa oração ao Senhor, fonte de toda unidade. Confiamos, desde já, com segurança filial, à intercessão da Beata Virgem Maria, Mãe da Igreja.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Mensagem do Santo Padre Bento XVI no Ângelus deste domingo.


O Papa Bento XVI afirmou hoje que os migrantes “não são números”, mas sim pessoas que buscam um lugar onde viver em paz. Diante de milhares de fiéis e peregrinos provenientes de todas as partes do mundo reunidos na Praça São Pedro para a tradicional oração mariana do Angelus, o Santo Padre recordou que hoje a Igreja celebra o 98º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado e que para essa ocasião publicou recentemente uma mensagem, tem como tema “Migrações e nova evangelização”.
“Milhões de pessoas estão envolvidas no fenômeno da migração, mas eles não são números! São homens e mulheres, crianças, jovens e anciãos à procura de um lugar para viver em paz. Na minha Mensagem para este Dia, chamei a atenção para o tema “Migração e nova evangelização”, sublinhando que os migrantes não são somente destinatários, mas também protagonistas do anuncio do Evangelho no mundo contemporâneo”.
Em seguida o Papa dirigiu uma cordial saudação aos representantes das comunidades migrantes de Roma, hoje presentes na Praça São Pedro.
Em sua mensagem, publicada no último dia 25 de novembro, Bento XVI afirma que os estados tem o dever de acolher e respeitar a dignidade humana e os direitos dos refugiados, “superando os temores e evitando formas de discriminação”.
O Dia Mundial do Migrante e do Refugiado foi instituído em 1914 pelo Papa Bento XV, conhecido também como “o Papa da Paz”. Naquela época, o mundo vivia o triste conflito da 1ª Guerra Mundial. O Papa Bento XV nomeou um bispo para assistir aos refugiados e vítimas da guerra e quis que fosse celebrada a Jornada do migrante. Desde então, essa data se repete todo ano, no primeiro domingo após o Batismo de Jesus.
Momentos antes de rezar a oração mariana do Angelus o Papa, comentando as leituras deste domingo disse que das mesmas emerge o tema da vocação: “no Evangelho é o chamado dos primeiros discípulos por parte de Jesus; na primeira leitura é o chamado do profeta Samuel”. Em ambas as narrações se destaca a importância da pessoa que desempenha o papel de mediador, ajudando as pessoas chamadas a reconhecer a voz de Deus e a segui-la.
“À luz desses dois textos, eu gostaria de enfatizar o papel crucial do guia espiritual no caminho de fé e, em particular, na resposta à vocação de especial consagração ao serviço de Deus e de seu povo. Já a mesma fé cristã, em si, pressupõe o anúncio e o testemunho: na verdade, consiste na adesão à boa notícia que Jesus de Nazaré morreu e ressuscitou, que é Deus”.
E assim também o chamado a seguir Jesus mais de perto, - continuou o Papa - renunciando a formar uma própria família para dedicar-se à grande família da Igreja, passa normalmente através do testemunho e da proposta de um “irmão maior”, geralmente um sacerdote.
Isto sem esquecer o papel fundamental dos pais, - recordou o Santo Padre - que com a sua fé genuína e alegre, e o seu amor conjugal mostram aos filhos que é bonito e é possível construir toda a vida no amor de Deus.
E o Papa concluiu invocando Nossa Senhora:

“Queridos amigos, vamos pedir à Virgem Maria por todos os educadores, especialmente os sacerdotes e os pais, para que tenham plena consciência da importância de seu papel espiritual, para favorecer nos jovens, além do crescimento humano, a resposta ao chamado de Deus, a dizer: "Fala, Senhor, o teu servo escuta."
 
 
Papa Bento XVI da janela no Vaticano para a oração e mensagem do Ângelus, neste domingo, Segundo do Tempo Comum, 15 de janeiro.

Confira na íntegra a mensagem do Santo Padre neste link: http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=284894




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